Testes com IA apontam para uma nova relação entre clientes e gestores de ativos financeiros
Tecnologia se sai melhor que fundos de investimento populares em experimento e tudo indica que ela deverá alçar o conhecimento — e o grau de exigência — dos clientes a um novo patamar
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Retorno da carteira escolhida pelo ChatGPT superou com folga a rentabilidade de 10 dos fundos mais populares do Reino Unido | Imagem: Freepik

Entre os dias 6 de março e 28 de abril deste ano, a fintech britânica Finder conduziu um experimento com uma cesta de ações escolhidas pelo ChatGPT, chatbot desenvolvido pela OpenAI. A inteligência artificial (IA) generativa selecionou 38 ativos e a carteira obteve um retorno de 4,9% no período. A performance superou com folga a de 10 dos fundos mais populares do Reino Unido, geridos por instituições como HSBC e Fidelity. No acumulado das oito semanas, os veículos de investimento apresentaram retorno negativo médio de 0,8%.  


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No mesmo intervalo de tempo, o índice de ações Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países europeus, acumulou alta tímida, de 0,5%. A carteira do ChatGPT superou ainda o desempenho do S&P 500, que agrega as companhias mais valiosas dos Estados Unidos e entregou retorno de 3% durante o experimento. 

Os critérios de seleção do ChatGPT no experimento foram simples. A inteligência artificial foi instruída a escolher empresas com histórico de crescimento e baixo nível de endividamento. Bigtechs, como Microsoft e Amazon, além da varejista Walmart, estavam entre as companhias selecionadas pela ferramenta.  

Não é de hoje que gestores de recursos utilizam a inteligência artificial para auxiliá-los no trabalho de “stock picking”. As tecnologias disponíveis já permitem a criação de planos de alocação customizados, de acordo com o objetivo de cada investidor, dando celeridade ao trabalho do prestador de serviço e o ajudando a navegar por diferentes cenários. Inédita é a forma como os próprios donos do dinheiro, principalmente o investidor do varejo, podem acessar a IA diretamente para tomar suas decisões.  

Limitações reais?

Existe uma percepção de que o investidor poderá ter acesso a um tipo de informação que só os gestores de recursos possuíam até então, ganhando mais autoridade para questionar o prestador de serviços sobre suas estratégias e, assim, avaliar se ele está fazendo ou não um bom trabalho. Em um mercado cada vez mais sofisticado, a inteligência artificial teria condições de descomplicar o entendimento sobre novos ativos, com potencial para ser uma poderosa ferramenta de educação financeira. Algo semelhante ao que vimos acontecer nos consultórios de medicina após a disseminação das buscas no Google. 

“Vai melhorar absolutamente a educação financeira do cliente e as tarefas repetitivas do profissional de investimentos. Será um gerador de eficiência incrível”, disse David Bailin, chefe da área de investimentos do Citi, ao ser consultado pela Bloomberg. No entanto, ele aponta algumas limitações. A inteligência artificial pode não saber o que está ocorrendo com a empresa no mesmo dia em que a consulta ao chatbot é feita. “Há limitações reais na ação contemporânea. O trabalho manual vai ser sempre necessário na tomada de decisões de investimento”. 

Contudo, no mesmo artigo, Jimmy Chang, chefe de investimentos do familly office da Rockfeller Global, explica que a capacidade de aprendizado dos chatbots tende a evoluir ao longo do tempo. Afinal, a inteligência artificial é diferente de meras tecnologias que geram respostas previsíveis. “Treinar bots de gestão de patrimônio e incorporar seus resultados será muito mais arte do que ciência, pois eles exigem insights, raciocínio e julgamento diferenciados em muitas áreas. Com o tempo, os alunos vão superar os professores. Mas, por enquanto, não deixe que eles entrem em contato diretamente com seus clientes”, alerta Chang.  

Insights explicados

A Finder, autora do experimento de “stock picking” com o ChatGPT, apurou que são poucos os investidores de varejo que utilizam a ferramenta para embasar suas decisões financeiras sem o acompanhamento de um especialista. Em uma pesquisa feita com duas mil pessoas no Reino Unido, apenas 8% responderam que já utilizaram o ChatGPT para obter orientação financeira e 19% disseram considerar o uso da ferramenta para escolher investimentos. Porém, mais de um terço dos participantes da pesquisa (35%) respondeu que não utilizaria o chatbot nesse tipo de decisão. 

De qualquer forma, até mesmo do ponto de vista da tecnologia, o ChatGPT pode não ser a melhor escolha para esse tipo de aconselhamento. De acordo com artigo de Vijay Raghavan, analista sênior da consultoria norte-americana Forrester, a inteligência artificial explicável (XAI, na sigla em inglês) é uma ferramenta mais adequada para a gestão de recursos financeiros. “Essa tecnologia permite que usuários e reguladores examinem a lógica da inteligência artificial e que os algoritmos sejam aprimorados, para que funcionem dentro do esperado”, escreveu o analista. Os insights do ChatGPT, por sua vez, são inexplicáveis.  

“À medida que a IA se insere na gestão e no investimento de patrimônio, as apostas são muito maiores, exigindo a supervisão e a governança que a XAI oferece”. Na visão de Raghavan, a maioria das empresas de gestão de patrimônio deve planejar a implementação dessa tecnologia nos próximos dois a quatro anos.  

Fato é que, diante da democratização da inteligência artificial, a sociedade precisa se preparar para mudanças na forma como prestadores de serviços e clientes se relacionam entre si. Na opinião dos especialistas, os administradores de recursos devem enxergar as novas tecnologias como “co-piloto” de suas decisões — não como uma ameaça. Está dado que a IA tem potencial para otimizar o trabalho de gestão e trazer mais dinheiro aos investidores. Aqueles que não aderirem a essa transformação, ao que parece, tenderão a perder clientes. 

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