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Crises de liquidez complicam a equação de juros e inflação nos EUA
Problemas com SVB e Signature Bank podem mudar o curso do Fed, que há tempos não injetava liquidez no mercado
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Risco de uma crise no setor bancário não está restrito aos Estados Unidos | Imagem: Freepik

Desde que o Banco Central dos Estados Unidos deu início ao atual ciclo de aperto monetário, há exatamente um ano, cada nova decisão sobre taxa de juros passou a ser acompanhada com apreensão pelos agentes do mercado financeiro. Ao longo desse período, o Federal Reserve se manteve assertivo sobre sua prioridade em combater a galopante inflação americana, que chegou a atingir o seu maior patamar em 40 anos. O discurso da autoridade monetária pouco mudou durante esse tempo, sempre apontando para um mercado de trabalho aquecido e uma taxa de desemprego historicamente baixa como alavanca dos preços elevados.  


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Nesta semana, entre terça e quarta-feira, o Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc, na sigla em inglês) se reúne pela segunda vez no ano para tomar uma nova decisão sobre a taxa de juros. A previsibilidade sobre o desfecho desse encontro, porém, é das mais baixas desde o início do ciclo de aperto. Já não era tão fácil adiantar os próximos movimentos do BC americano somente com base nos dados de inflação e emprego — os números ora apontavam para um cenário mais ameno, ora vinham um tanto nebulosos. Desta vez, a complicada equação ganhou um componente adicional: a crise enfrentada por bancos regionais dos Estados Unidos.  

Problema novo 

Até duas semanas atrás, o Silicon Valley Bank (SVB) dificilmente estaria no radar do Fed. O banco era conhecido por financiar startups do Vale do Silício e ocupava a 16ª posição no ranking das maiores instituições financeiras regionais do país. O SVB atendia justamente o perfil de empresa que mais sofreu com os impactos dos juros altos nos Estados Unidos, num momento em que até as grandes techs passam por uma leva de demissões. Precisando de dinheiro para honrar seus compromissos, os clientes do banco começaram a resgatar seus recursos.  

Para dar conta dos saques, o SVB precisou antecipar a venda de 21 bilhões de dólares em títulos públicos, que só deveriam ser resgatados no vencimento. Como a taxa de juros atual é mais elevada que as oferecidas pelos papéis, ela se depreciou fortemente na venda, o que levou a instituição a amargar um prejuízo de 1,8 bilhão de dólares. A notícia provocou uma nova corrida bancária que culminou com a quebra do banco no último dia 10 de março. Com 200 bilhões de dólares em ativos, o SVB protagonizou a maior falência bancária dos Estados Unidos desde 2008, quando o Washington Mutual sucumbiu à crise do subprime.  

FED em ação 

O problema não foi estancado com o SVB. Dois dias depois, órgãos reguladores determinaram o fechamento de um outro banco regional, que também passou por uma avalanche de saques: o Signature Bank, de Nova York, com mais de 110 bilhões de dólares em ativos e quase 89 bilhões em depósitos. 

Rapidamente, o Federal Reserve entrou em cena para tentar conter os danos. Além de garantir que os clientes do SVB poderiam sacar seus depósitos integralmente, o BC americano anunciou um programa de empréstimos emergenciais para as instituições financeiras em apuros. Disponibilizou 25 bilhões de dólares que seriam usados, originalmente, na estabilização cambial, para serem oferecidos como empréstimos, com prazo de um ano.  

Mudança de rumo? 

O mercado não estava mais acostumado a ver medidas de injeção de liquidez por parte do Fed, praticamente desde que a taxa de juros começou a subir. Logo, a crise gerada pelos bancos regionais trouxe o sentimento de que a autoridade monetária estaria até mesmo disposta a antecipar o fim do ciclo de aperto monetário. No monitor de juros do CME Group, essa é a previsão de 38% dos economistas para a próxima reunião do Fomc. A maioria, 62%, segue apostando em uma nova alta de juros, mas em ritmo mais moderado, de 25 pontos base. A possibilidade de um ajuste de 50 pontos sumiu das previsões. 

Se já não era fácil tomar uma decisão, agora ficou ainda mais difícil. O fechamento do SVB e do Signature Bank foi seguido por mais um dado ruim de inflação, apontando para a reaceleração de preços do núcleo, ou seja, de itens menos voláteis. Isso significa que a parte da inflação mais dependente da política monetária continua subindo. Resta saber se o Fed vai manter sua costumeira assertividade ou se poderá amenizar o tom, diante das atuais circunstâncias. 

E bem longe dali… 

O risco de uma crise no setor bancário não está restrito aos Estados Unidos. A recente turbulência nos mercados foi reforçada por preocupações com o futuro do Credit Suisse. O banco não esconde a crise de liquidez que vem enfrentando. Foi atingido por uma onda de saques ao final de 2022, e agora ficou sem apoio de seu principal acionista, o Saudi National Bank. O banco da Arábia Saudita informou que está impossibilitado de prestar ajuda financeira ao Credit Suisse porque a regulação europeia proíbe que sua participação na instituição ultrapasse os 10%.  

Em movimento semelhante ao do Fed, o Banco Nacional da Suíça se dispôs a garantir liquidez ao banco. O Credit Suisse, prontamente, anunciou que buscaria até 50 bilhões de francos suíços por meio de uma linha adicional de financiamento. As autoridades monetárias, ainda bem, estão preocupadas em garantir socorro às suas instituições e impedir que os danos se alastrem. Como elas vão conciliar esta urgência com as metas de inflação é uma outra história.  

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