Inflação e juros altos fazem o inverno das fintechs
Conjuntura econômica no Brasil e no mundo desafia a base de captação e a liquidez das startups financeiras
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O aumento da inadimplência coloca em xeque o modelo de negócio das fintechs, que começam a se comportar como os grandes bancos na hora de emprestar. | Imagem: Freepik

As startups brasileiras receberam 3,3 bilhões de dólares em aportes entre janeiro e julho deste ano. O dado é do mais recente levantamento da plataforma de inovação Distrito e, ainda que pareça uma cifra robusta, equivale a pouco mais da metade do que essas empresas captaram um ano antes. A redução de 42% no número coincide com um cenário pouco amigável para se investir em negócios que consomem muito caixa e vão dar retorno apenas no longuíssimo prazo: inflação e juros altos, além de uma recessão global em formação.  


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As fintechs se mostram ainda mais sensíveis a esse cenário. Elas são o destino de praticamente metade dos recursos investidos em startups no Brasil. E conhecem bem as dores de seus financiadores, por trabalharem, elas mesmas, com concessão de crédito de alto risco. Bancos e financeiras digitais passaram por uma notável ascensão nos últimos anos, atendendo a um público que não conseguia se financiar com os grandes players ou sequer tinha uma conta bancária. Mas a característica que já foi o trunfo dessas empresas agora joga contra elas. 

Crédito restrito 

Mesmo respondendo por uma fatia ainda pequena no mercado de crédito brasileiro, os volumes concedidos pelas fintechs vinham crescendo em ritmo acelerado. Os empréstimos chegaram a 12,8 bilhões de reais no ano passado, quase o dobro do volume registrado em 2020, segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) e a PwC Brasil. O problema é o perfil dos tomadores desse crédito, que não são atendidos pelos “bancões” justamente por serem mais suscetíveis a momentos de instabilidade econômica.  

A inadimplência no Brasil bateu novo recorde em junho, atingindo 67 milhões de pessoas, de acordo com o Serasa Experian. O cenário coloca em xeque o modelo de negócio das fintechs, que começam a se comportar como os grandes atores na hora de emprestar. Algumas já estão pondo o pé no freio, elevando as taxas de financiamento, reduzindo limites de crédito e adotando análises mais criteriosas para a concessão de empréstimos. Mas as semelhanças param por aí.  


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Desafios do funding  

No financiamento de sua própria atividade, as fintechs ainda lembram pouco os “bancões”. De maneira geral, as instituições financeiras estão, sim, sofrendo com um descasamento entre taxas de empréstimos (pré-fixadas) e custos de captação, normalmente atrelados ao CDI, que dispararam com a alta dos juros. Mas essa conjuntura é ainda mais desfavorável para as startups do setor financeiro, que se financiam quase que exclusivamente pelo mercado de capitais.  

Com a Selic a 13,75%, maior nível em quase seis anos, o investidor passou a exigir retornos ainda maiores dos investimentos de risco. É não é diferente com quem aporta recursos nas fintechs, cujo principal negócio é a concessão de crédito. Além de recursos do venture capital, essas empresas têm obtido financiamento via FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios), com cotas lastreadas em recebíveis da própria instituição financeira. Fintechs como Provu e Cloudwalk conseguiram levantar bilhões de reais por meio desse instrumento.  

“As empresas que já conseguiram levantar recursos e continuam bem capitalizadas são as que estão em melhor posição para enfrentar esses obstáculos e defender suas franquias”, avalia a Fitch Ratings. A agência, no entanto, admite que a atual conjuntura pode desafiar a base de captação e a liquidez das fintechs.  

Empresas melhores 

Custos mais altos de aquisição também devem impactar a expansão da base de clientes dessas startups — o que não é necessariamente ruim, na visão de especialistas. Para Vikas Raj, investidor e consultor global de startups, o atual cenário deve fazer com que as fintechs de todo o mundo trabalhem na resiliência da base de usuários que já possuem. “Os valuations elevados e a euforia dos mercados nos últimos anos fizeram com que essas companhias focassem em ‘métricas de vaidade’, como o crescimento absoluto de usuários em detrimento da receita e da retenção de clientes”, afirma Raj, em artigo para a Forbes. 

Para ele, a redução de recursos do venture capital dedicados às fintechs ocorre num momento equivocado. “Nos Estados Unidos, mais e mais pessoas estão sendo forçadas a tomar dinheiro emprestado para lidar com custos ascendentes, e a confiança do consumidor está recuando rapidamente”, afirma. Segundo Raj, passado o inverno das fintechs, aquelas que se fortalecerem durante o período de baixa terão mais capacidade para captar clientes e ganhar escala quando os mercados se recuperarem. Resta saber se o investidor desse tipo de negócio está disposto a esperar.  

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