A empresa resiliente: conclusão 

Qualidades para o sucesso no mundo pós-covid-19 



Empresas em um mundo pós-covid

Diretorias e conselhos precisam ter mais foco no futuro e menos no passado, mais foco no fator humano do que em números frios que pouco informam o que realmente vem acontecendo na organização | Imagem: freepik

Ao longo das três últimas colunas, detalhei as qualidades fundamentais de uma empresa resiliente: a capacidade de aprender continuamente, de criar relacionamentos saudáveis com todos os stakeholders e de ser genuinamente orientada a um propósito mais amplo do que o resultado financeiro.  

Uma empresa com esses atributos está muito mais sintonizada com os valores e a sociedade do século 21. Ela terá muito mais competência e energia para superar situações desafiadoras e se adaptar rapidamente às constantes transformações, emergindo delas melhor do que antes. A figura abaixo resume essas três qualidades e a sobreposição entre os círculos mostra como esses conceitos são interconectados. 

 

Infográfico: Prof Alexandre Di Miceli  –  Adaptação: Anna Magalhães | Capital Aberto

Para dar concretude a esses temas, é fundamental começar a mensurá-los. Há métricas para isso. É possível medir de maneira objetiva a segurança psicológica, a cultura ética, um estilo de liderança virtuoso e a orientação para um propósito maior, para citar alguns exemplos. 

Sdiretorias e conselhos consideram esses temas importantes, então eles têm que procurar inclui-los na pauta, medi-los de maneira objetiva e administrá-los continuamente. 

Outra recomendação é alocar mais tempo para a alta gestão discutir questões relacionadas. Isto é, mais tempo para falar de temas como cultura organizacional, saúde mental, engajamento dos colaboradores e capital humano. 

Diretorias e conselhos precisam ter mais foco no futuro e menos no passado, mais foco no fator humano do que em números frios que pouco informam o que realmente vem acontecendo na organização. 

Exemplos que vêm de diretorias e conselhos 

Uma terceira recomendação, bastante óbvia, é a de que diretorias e conselhos deem o exemplo do que querem ver em suas organizações. 

Se a alta gestão quer uma empresa que aprende, então também ter que demonstrar disposição em aprender. Isso exige desde a criação de um ambiente de segurança psicológica nas diretorias e conselhos  que incentive os membros a manifestar suas dúvidas, ideias e inquietudes  até a implementação de uma agenda de desenvolvimento continuado para diretores e conselheiros. 


Leia as últimas colunas de Alexandre Di Miceli da Silveira aqui.


Se a alta gestão quer uma empresa ética, então precisa ser ética nas suas decisões, começando pela maneira como trata todos os stakeholders da organização.  

E se o conselho quer uma empresa com propósito, então precisa passar a priorizar de maneira autêntica um conceito de sucesso mais amplo em suas comunicações e, principalmente, em suas deliberações. 

Empresas como sistemas vivos 

O modelo de resiliência empresarial que detalhei ao longo das últimas colunas requer uma mudança de mentalidade de muitos líderes corporativos.  Em vez de pensar em suas empresas como uma grande máquina, é preciso passar a vê-las como um sistema vivo. 

A ideia da empresa como máquina é resultado de um pensamento mecanicista e linear típico da era industrial. Essa visão é voltada para a eficiência e o desempenho de curto prazo. Ela pode fazer algum sentido quando se enfrenta problemas simples em um ambiente estável.  

Em um ambiente dinâmico, complexo e imprevisível, esse paradigma não funciona. É preciso evoluir para um pensamento sistêmico baseado na biologia. Um sistema vivo é incomparavelmente mais resiliente do que uma máquina.  

Na crise da covid-19, por exemplo, a natureza deu um grande exemplo de resiliência.  Em poucos dias de isolamento das populações, os canais de Veneza voltaram a ter algas e peixes, enquanto várias metrópoles tiveram uma verdadeira invasão de animais selvagens. 

A natureza é extremamente adaptável, flexível e sempre encontra uma maneira de se regenerar, de voltar a florescer em circunstâncias diferentes.  

O mesmo vale para as empresas que aprendem continuamente, constroem relacionamentos saudáveis com seus públicos e perseguem um propósito maior: elas conseguirão se adaptar novas circunstâncias, se reinventar e voltar a prosperar. 

Essas serão as empresas de excelência neste século 21 de choques sucessivos e transformações constantes. 


Prof. Dr. Alexandre Di Miceli da Silveira é fundador da Virtuous Company Consultoria e autor de Empresiliente! Prosperando em um Mundo de Incertezas, Ética Empresarial na Prática: Soluções para a Gestão e Governança no Século XXI e Governança Corporativa: O Essencial para Líderes. O articulista agradece a Angela Donaggio pelos comentários e sugestões.  

 

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