Em busca de um sentido

Perseguir um propósito autêntico além do lucro é cada vez mais importante para o sucesso das empresas no século 21

Governança Corporativa/Governança / 14 de dezembro de 2018
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Perseguir um propósito autêntico além do lucro é cada vez mais importante para o sucesso das empresas no século 21

Ilustração: Rodrigo Auada

“Toda empresa exige um compromisso coletivo em relação a objetivos comuns e valores compartilhados. Sem esse compromisso, não há empresa, mas apenas uma turba.”

Peter Drucker (1909-2005)

Como tenho dito de maneira recorrente, as práticas de governança devem estar integradas a uma cultura ética promovida por líderes conscientes, para que a organização persiga um propósito além do retorno financeiro.

Mas o que significa “propósito maior”? Porque é importante? Como fazer para que o propósito se torne vivo na organização e mensurável pela alta gestão? São questões essenciais diante do consenso cada vez maior de que um propósito vivo no dia a dia é fonte de vantagem competitiva no século 21.  A despeito disso, a maioria das empresas ainda aborda o tema de maneira superficial, o que as impede de colher seus benefícios.

O propósito é uma declaração clara e concisa sobre a diferença que a empresa tenta fazer em sua região, país ou no mundo. Ele é o “porquê” da organização, enquanto a missão representa o “o que” e a visão significa o “aonde queremos chegar”.

Para conceber um propósito genuíno, os líderes devem refletir: Quem somos e por que existimos? Qual é a contribuição que queremos dar ao mundo? O que o mundo perderia se deixássemos de existir?

Estudos têm mostrado que as empresas orientadas por propósito obtêm melhor desempenho em todas as dimensões, incluindo a financeira. Um deles, da consultoria BCG, concluiu que as companhias com maior senso de propósito auferiram um retorno total para seus acionistas bem superior às demais por dez anos.

Não por acaso, até alguns investidores, que tradicionalmente veem as empresas apenas como meras entidades geradoras de fluxo de caixa, passaram a enxergar a importância do tema. Um exemplo veio de Larry Fink, CEO da poderosa BlackRock. Em sua carta aberta aos acionistas de 2018, intitulada “um senso de propósito”, ele diz que “sem um sentido de propósito nenhuma empresa pode alcançar seu pleno potencial” e que “o conselho tem um papel-chave em ajudar suas empresas a articular e a perseguir seu propósito”.

Perseguir um propósito genuíno é também uma fonte de energia, motivação intrínseca, lealdade e união entre os empregados e demais stakeholders, algo ainda mais valioso em momentos de dificuldade. Diante de mudanças constantes, o propósito serve ainda como um norte para as deliberações, propiciando decisões mais alinhadas e rápidas.

Uma das principais características de nosso zeitgeist é a busca das pessoas por sentido e impacto social em seu trabalho. Isso é particularmente verdadeiro nas novas gerações, o que faz com que o propósito seja um diferencial crítico na disputa pelos melhores talentos.

É fundamental destacar que identificar e articular um propósito são apenas etapas iniciais: o mais importante é ir além da superfície, incorporando-o aos valores e comportamentos diários de empregados e executivos. Esse é o grande desafio de conselheiros e diretores. Há métricas para se verificar o grau de integração do propósito ao cotidiano e sua aplicação como critério para as decisões.

O mais importante, como de praxe em governança, é que os líderes exibam comportamentos consistentes ao propósito declarado. Isso inclui contratar pessoas (ou eventualmente demiti-las) e fazer (ou deixar de fazer) negócios com base em seu alinhamento ao propósito da organização.

O diagnóstico periódico e os comportamentos das lideranças levarão a busca por um propósito maior a se tornar a força motriz da empresa, de maneira que o lucro seja a consequência de um trabalho com sentido e alinhado ao bem comum.


Prof. Dr. Alexandre Di Miceli da Silveira é fundador da Direzione Consultoria e autor de Ética Empresarial na Prática: Soluções para a Gestão e Governança no Século XXI. O articulista agradece a Angela Donaggio pelos comentários e sugestões.


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