Luis Stuhlberger

Vamos piorar antes de melhorar

Gestão de Recursos/Governança Corporativa/Relações com Investidores/Reportagem/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
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Gestor da Credit Suisse Hedging-Griffo, Luis Stuhlberger tem fama de visionário. Seus movimentos à frente do Verde, um multimercado que acumula rentabilidade de 7.821% desde a sua criação, em 1997, são acompanhados com lupa pelo resto do mercado. Recentemente, boa parte dos recursos do fundo foi direcionada à compra de ativos no exterior. “Cheguei à conclusão de que era melhor ser um médio bom investidor nos Estados Unidos do que um ótimo no Brasil”, explica Stuhlberger. O caminho, segundo ele, tem volta. Mas não no curto prazo.

Economia
“Minha opinião é que vamos piorar para depois melhorar. Isso é parte do aprendizado da jovem social-democracia brasileira. Nós adotamos um esquema político profundamente assistencialista e sindicalista, que está testando os limites do modelo de crescimento sem reformas.
Não que eu não seja otimista com nosso País, mas não consigo ver o nosso sistema político, que tem no seu DNA a sobrevivência, melhorar.”

Recuperação
“Acredito que haverá uma racionalização do pensamento econômico sobre o desenvolvimento do Brasil nos próximos três ou quatro anos. Teremos uma reforma profunda do pensamento, porque os modelos esgotam. Lamentavelmente, as mentalidades só mudam quando as coisas pioram.”

Expansão econômica
“O modelo CCC (crédito, consumo e commodities) já deu o que tinha que dar de 1994 até 2012. Claro que ainda há como crescer: com a expansão das cidades pequenas e com o enorme potencial do setor de real state. Mas o boom, sem reforma e ganho de produtividade, acabou.”

A vez de Chile e México
“Hoje o mundo é muito competitivo. O capitalismo asiático e o americano são incrivelmente eficientes. E os países que o Brasil não ama — Chile, México, Peru e Colômbia, talvez até o Paraguai — vão começar a dar trabalho. Acho que esse é um problema muito mais sério do que o mercado precifica atualmente.”

Aprendendo com os outros
“O [escritor] Laurentino Gomes me disse que o Brasil tem a vantagem do self-correction: usa a experiência negativa dos outros para se corrigir. Essa característica é relevante no longo prazo. Mas, agora, estou desanimado com o self correction de curto prazo, por falta de alternativa eleitoral. Ainda que os políticos saibam o que devem fazer, eles não o farão com receio de perder
a eleição.”

Controladores versus minoritários
“Minha experiência nos casos de abuso de controlador contra minoritário, em que tivemos a conjunção de CVM, Conselhinho e Judiciário, foi muito decepcionante. Sou um sujeito movido a custo-benefício. Não sou Robin Hood. Vou gastar meu tempo e minha energia com questões que o Judiciário e a CVM não conseguem resolver para mim?”

Governança corporativa
“A maior batalha perdida foi a reforma do Novo Mercado. Alguns anos atrás eu disse que a governança iria melhorar.
De fato, isso ocorreu. Era a fase Jorge Ben Jor do mercado de capitais: ‘Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem’. O problema do Brasil é que a evolução da aparência é maior do que a da realidade.”

Novas assets
“Muitas gestoras estão sendo abertas e acredito que há espaço para todo mundo. Cada um vai exercer o seu DNA.
O que nós não temos é massa crítica de companhias abertas para tanto dinheiro e tantas gestoras. Em compensação, a capacitação nessa área cresceu muito, com o uso de derivativos e a arbitragem com ativos correlatos, por exemplo, o que abre novas oportunidades.”

Abertura de capital
“O tamanho do governo, a massa de trabalho sem produtividade e uma legislação que não incentiva o empreendedorismo nos levaram a um cenário de muito dinheiro no CDI e poucas empresas abertas. Nessa conjuntura, quando um gestor se expande, ele se torna um elefante numa salinha pequena.”


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