Busca por “nova Tesla” põe em evidência startups de transporte aéreo

Investidores destinaram 4,3 bilhões de dólares para o setor neste ano, pensando em replicar retorno da companhia de Elon Musk



 Imagem: freepik

Encontrar a próxima Tesla é o atual sonho de parte dos investidores do mercado acionário americano. Os papéis da montadora criada por Elon Musk subiram 743% em 2020, liderando o ranking de valorização das ações listadas nos índices S&P 500 e Nasdaq 100. Nos primeiros oito meses deste ano, essa procura por uma agulha no palheiro acabou favorecendo também o ainda incipiente setor de soluções para mobilidade aérea: impressionantes 4,3 bilhões de dólares foram investidos em negócios como os de drones e táxis aéreos. Os dados, divulgados pela consultoria McKinsey, mostram que os investimentos no setor cresceram 83% nos últimos cinco anos e foram viabilizados por fundos de venture capital e Spacs (special purpose acquisition companies).

No Brasil, a fabricante de aeronaves Embraer apostou nesse nicho com o lançamento da empresa Eve Urban Air Mobility, em outubro de 2020. A companhia, que tem operações totalmente separadas daquelas da Embraer, trabalha no desenvolvimento de veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOL) — e, com menos de um ano de atividades, já recebeu da angloamericana Halo uma encomenda de 200 unidades de táxis áereos, que devem ficar prontos em 2026. Neste ano, uma encomenda ainda maior chegou para a startup britânica Vertical Aerospace, que está há cinco anos no mercado: mil unidades de eVTOLs, que devem ser distribuídos para as companhias American Airlines, Virgin Atlantic e Avolon em 2024.

Incertezas

O entusiasmo dos investidores, entretanto, ainda não encontra ativos seguros, já que a maioria das startups não finalizou o desenvolvimento de protótipos de veículos comerciais capazes de transportar passageiros. Peter Harrop, chairman da consultoria de tecnologia IDTechEx, defende que a indústria de táxis aéreos tem um futuro promissor, mas que os investidores estão colocando bilhões em empresas na expectativa de retornos estrondosos caso elas se tornem a “próxima Tesla”. “Existem empresas que ainda não têm o produto, estão vendendo apenas o sonho, e arrecadando bilhões”, disse Harrop, em entrevista ao Financial Times.

E há sinais de que o furor do mercado está prestes a diminuir. Enquanto algumas startups mais proeminentes do setor se preparam para fazer suas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), entre elas a Lilium e a Vertical Aerospace, aquelas que puxaram a fila tiveram uma recepção morna na bolsa. A Joby Aviation, que conta com o apoio da Toyota, levantou menos do que o esperado ao estrear na Nyse por meio de uma Spac — 1,1 bilhão, em vez de 1,6 bilhão de dólares. Já a Archer, que está prestes a se combinar com a Spac Atlas Crest, foi obrigada a cortar seu valuation em 1 bilhão de dólares durante as negociações.

“O entusiasmo que vimos no primeiro trimestre deste ano esfriou um pouco por causa de uma combinação de fatores: no geral, os mercados ficaram menos animados com os negócios via Spacs, a quantidade de empresas do setor aumentou e as pessoas estão começando a aceitar que pode haver atrasos para o início das operações”, lembrou Robin Riedel, partner da McKinsey.

Regulação

Além de integrarem um setor incipiente, as startups com negócios nessa área enfrentam incertezas diante da falta de certificação concedida por reguladores de segurança aérea. A União Europeia e o Reino Unido preveem que os primeiros voos comerciais com táxis aéreos aconteçam apenas por volta de 2025, após a introdução de um ecossistema seguro de mobilidade aérea urbana (UAM, na sigla em inglês). No Reino Unido, o projeto está sendo encabeçado pelos aeroportos britânicos Heathrow e London City em parceria com a Embraer. Mas a tecnologia pode chegar antes em outros países. Singapura, por exemplo, comprometeu-se a iniciar as operações do primeiro serviço mundial de voo comercial com táxi aéreo elétrico até o final de 2023, em parceria com a startup alemã Volocopter.

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