Venture Capital

Entenda as particularidades dessa modalidade de investimento e o mercado de venture capital brasileiro

Explicando o mercado de capitais / 22 de março de 2019
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Venture Capital

Ilustração: Rodrigo Auada

Venture capital, ou capital de risco, é uma modalidade de investimento focada em empresas de até médio porte que possuem alto potencial de crescimento, mas ainda são muito novas e têm faturamento baixo. O objetivo desse tipo de investimento não é apenas injetar capital na empresa para ajudá-la a crescer, mas também influenciar diretamente no andamento e na gestão do negócio. Isso contribui na criação de valor para a futura venda de participação acionária na empresa.

Hoje, esse tipo de aporte é mais comum em startups com modelo de negócio escalável. Ocorrem rodadas de investimentos — denominadas Seed, Series A, Series B, Series C, e assim por diante — de acordo com a maturidade da empresa, em valor crescente. A modalidade se diferencia de investidores anjo, que investem no estágio inicial, e de investimentos de private equity, que buscam empresas maiores e com maior faturamento.

Como é o mercado de venture capital no Brasil

No Brasil, o mercado de venture capital ainda está em fase de desenvolvimento, porém já é o maior da América Latina e cresce de maneira exponencial. Além do volume estar aumentando, o número de rodadas tem diminuído, o que mostra o começo de uma maturação do mercado, com aportes a cada rodada cada vez maiores. Junto a esses investimentos, o ecossistema de startups também tem crescido de maneira exponencial no Brasil. Hoje, já existem no País cinco unicórnios, startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares. São elas: 99, Nubank, Pagseguro, Stone e Movile. Esse número tende a crescer de maneira proporcional ao volume dos investimentos providos pelo segmento de venture capital.

Segundo os dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), o total de capital comprometido pelos fundos de private equity e venture capital já chegam a R$ 153,2 bilhões, com aumento médio de 28% ao ano. Tais dados mostram que essa indústria vem apresentando um grande crescimento, mesmo com a recessão que o Brasil passou nos últimos anos.

Essa informação é relevante, uma vez que o venture capital e o private equity são um importante vetor de crescimento e consolidação de empresas, principalmente em economias mais desenvolvidas, como os Estados Unidos. Porém, quando olhamos a evolução desse mercado por aqui em relação aos países desenvolvidos, verificamos que o investimento nesse setor ainda é baixo. Em 2015, de acordo com dados da ABVCAP, o investimento nessa indústria em relação ao PIB do Brasil foi de apenas 0,31%, contra 1,41% dos Estados Unidos e 1,95% da Inglaterra.

A proporção, entretanto, acompanha a dos demais segmentos do mercado financeiro. Em 2017, o Brasil terminou o ano com 344 empresas listadas na B3, contra 6.870 nos Estados Unidos. Se houvesse um maior investimento no segmento de venture capital e private equity, mais empresas teriam potencial para chegar à bolsa de valores. Consequentemente, isso também impactaria no crescimento do país.

 

Como investir em venture capital

O investimento em venture capital pode ser realizado por: companhias de participações; gestores, através de Fundos de Investimento em Participações (FIPs), que são fundos estruturados para esta finalidade; e por investidores individuais que disponham de capital e amplo conhecimento para investir.

Normalmente, os FIPs funcionam como um condomínio fechado, no qual não é possível que o investidor resgate as suas cotas a qualquer momento, mas sim que venda sua participação para outro investidor por meio da B3 ou para o próprio fundo. Por essa razão, o investimento nos FIPs é permitido apenas para Investidores Qualificados, que são aqueles que possuem mais de R$ 1 milhão em investimento, e Investidores Institucionais.

Para atuar na área, é importante que o investidor tenha uma visão ampla, sendo capaz de analisar a resistência do setor às alterações nas variáveis macroeconômicas. Além disso, ele deve estimar o crescimento, interpretar as necessidades do mercado consumidor e, ainda, saber identificar indústrias de alto potencial, que, no atual momento do Brasil, geralmente estão relacionadas a empreendimentos voltados para a tecnologia.

O envolvimento dos investidores na gestão do negócio pode variar bastante de acordo com o perfil da empresa alvo, sendo o setor de atuação, o porte da empresa e o seu estágio de desenvolvimento pontos especialmente relevantes.

Para o investidor interessado no segmento, é importante saber que os FIPs podem ser regulamentados ou não. No segmento regulado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é responsável tanto pela regulamentação quanto pela fiscalização desses fundos, bem como dos seus administradores. Sendo assim, a parte legal do investimento também é de suma importância para seu sucesso.

As vantagens de receber este tipo de investimento

Além de um poderoso auxílio financeiro que qualquer empresa necessita para crescer, esta modalidade de investimento propicia inúmeras outras vantagens:

Suporte na gestão: os investidores que direcionam seu capital aos FIPs costumam ter amplo conhecimento no setor de empreendimentos e podem desempenhar cargos de coordenação e gestão na empresa.

Parceria de longo prazo: o venture capital é um investimento de longo prazo realizado por pessoas com certa experiência e que, portanto, entendem que o êxito não vem de uma hora para outra.

Conselho fiscal e administrativo: em se tratando de um fundo de investimento, pode haver a exigência da criação de um conselho para apoiar a empresa em suas decisões fiscais e administrativas, além de facilitar processos burocráticos.

Evolução rápida: com o apoio recebido por meio do venture capital, é natural que a empresa tenha mais chances de se inserir no mercado de forma sólida.

Principais investimentos em venture capital

O mercado de venture capital já conta com um número considerável de investidores no Brasil. Os principais são instituições públicas, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), criadas no intuito de prover crédito para o desenvolvimento de negócios promissores.

Com relação às instituições privadas, há importantes gestores de venture capital operando. Um dos maiores destaques vai para a Monashees, conhecida no mercado como caçadora de unicórnios, um dos pilares centrais para investimentos de empresas expoentes e para líderes em seus segmentos, como Nubank e Rappi.

Para Nicolás Szekasy, cofundador e sócio da Kaszek Ventures, responsável por financiar dezenas de startups com levantamentos de fundos milionários ao longo de 8 anos, a tendência desse mercado é de maior abertura e incentivos para empresas com alto potencial tecnológico, inicialmente focadas na América Latina. Tal tendência se deve a uma vantagem competitiva crítica na região, demonstrada pela criação de fintechs, apps de venda e compra geral, entregas de comida, entre outras inovações.


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* Fernanda Finotti (fernandafinotti.perobelli@ufjf.edu.br) é professora doutora e coordenadora do Conjuntura e Mercados de Consultoria (CMC), projeto de extensão da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Colaboraram os alunos integrantes da equipe CMC: Bruno Perry, pasta Valuation (brunoperry.cmc@gmail.com); Vinícius Andrade Viegas, pasta macroeconomia (viniciusviegas.cmc@gmail.com); Leonan Ferreira, pasta macroeconomia (leonanluiz1@gmail.com); e Iven Martins,  pasta macroeconomia (iven.batista@economia.ufjf.br)


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2 comentários

Mar 25, 2019

O artigo apresenta uma visão geral bem estruturada sobre os investimentos de VC e PE. Faço apenas uma ressalva quanto a menção de que FIPs podem ser regulados ou não. Me parece ter havido aqui um equívoco, tendo em vista que qualquer fundo de investimento, entre, eles os FIPs, para operarar no Brasil, devem ser obrigatoriamente registrados e autorizados para tal pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, portanto, regulados por esse Regulador. No caso concreto os FIPs, devem seguir as normas operacionais e contábeis determinadas pelas Instruções CVM 578 e 579, respectivamente, além daquelas de carater geral aos demais fundos.


    Apr 01, 2019

    Olá, João. Entramos em contato com a equipe do CMC para obter uma resposta:

    “Prezado leitor, agradecemos pela observação. Nosso intuito com esse parágrafo foi explicar que existem fundos que são negociados na Bolsa de Valores e outros não. Mas todos são regulados pela CVM, como bem observado por você.
    Abraços,
    Equipe CMC”



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