Corporate Venture Capital

As características e tendências do investimento de grandes companhias em startups

Explicando o mercado de capitais/Capitalização Startups/Venture Capital / 11 de outubro de 2018
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Corporate Venture Capital

Rodrigo Cantusio Segurado*

Ameaçadas pela disrupção que os novos modelos de negócios sugerem, as corporações estabelecidas apostam no Venture Capital (VC) e no Corporate Venture Capital (CVC) para manterem-se competitivas. O Venture Capital é um investimento de risco, no qual grandes empresas aplicam recursos em empresas menores, em fases iniciais, com a intenção de obter lucro futuro. Já o Corporate Venture Capital, também conhecido como corporate venturing, é o investimento de orçamentos corporativos, conhecido como Corporate Venture (CV), em startups. Além do aporte financeiro, nesta modalidade também é comum compartilhar práticas de administração e marketing em troca de inovação. Ele pode se dar através de fundos proprietários ou multicotistas, podendo ainda combinar recursos de Corporate Venture (CV), Venture Capital e Corporate Venture Capital (CVC). Diferente do Private Equity, que se dedica a investimentos em participação de empresas maduras, o Corporate Venture Capital se dedica a empresas nascentes com alto potencial de crescimento e resolução de novos problemas do mercado. Quando o investimento é dedicado a startups internas da corporação, podemos denominá-lo de Corporate Venture Interno (CVCI). Em caso de investimentos dedicados a startups externas, temos o Corporate Venture Capital Externo (CVCE).

Corporate Venture Capital

Estratégias de Corporate Venture Capital têm sido muito utilizadas em função da imagem de rápida inovação que os investimentos em startups podem gerar, além de ser uma fonte barata de reinvenção. Dentre os principais resultados estratégicos estão: desenvolvimento de cultura, acesso a novos mercados, desenvolvimento de novas plataformas, criação de novos modelos de negócio e ativos estratégicos ao futuro da empresa e a solução de problemas. Como no CVC as corporações são estrategicamente comprometidas com o desenvolvimento das empresas investidas, estas apresentam crescimento de receitas e aumento da rentabilidade três vezes superiores. A substancial melhora na performance se justifica pelo ciclo mais longo dos fundadores e acionistas. Existem, aproximadamente, 1.000 empresas com CVC, sendo 25% com estruturas independentes, onde CVC é responsável por 1/3 de todo o capital. Nove em dez IPOs realizados têm investimentos CVC e produzem 2,5 vezes mais patentes que investimentos de venture capital tradicionais, segundo relatório NVCA Money Tree Report Venture Investment USA, da PwC. O volume de investimentos em Corporate Venture Capital ainda é substancialmente menor que os realizados em Venture Capital, mas vem aumentando gradativamente. De 2011 a 2015 os investimentos mundiais em Venture Capital cresceram em 37% enquanto investimentos em Corporate Venture Capital cresceram em 64%. Eles representavam 8% do total de investimentos em 2011, saltando para 14% do total em 2015 e, em 2018, já representam 30% do total, segundo o relatório da PWC.

Corporate Venture Capital no Brasil

O Brasil, com destaque para a cidade de São Paulo, figura entre os cinco maiores ecossistemas de startups fora dos Estados Unidos e está na lista dos vinte maiores do mundo. Empresas nacionais e multinacionais já iniciaram suas atividades em Corporate Venture Capital no Brasil, como, no setor de produtos de consumo: Brf, JBS, Nestlé, Johnson&Jonhson, FaberCastell, Natura, Pepisco e Unilever; no setor de mídia e telecomunicações: Microsoft, Google, Telefonica, Grupo RBS; em tecnologia: Cisco, Totvs, IBM, Intel, Buscapé Company, Stefanini, Samsung e Locaweb; em óleo, gás e energia: Vale, 3M, Bosch, AESBrasil, ABB, Siemens, EDP, Algar, Enel Energia; em mobilidade e aeroespacial: Mercedes Benz, Embraer, GE, Volvo, UPS; em educação: HSM e Kroton; em serviços financeiros: Itaú, Bradesco, Master, Visa, Porto Seguro, Banco Original, Edenred; em química: Basf, Dow, e Dupont. A tendência aponta que as grandes corporações estabelecidas devam assumir o protagonismo sobre os investimentos na nova economia, alavancados pelos seus principais ativos, caixa e escala de mercado, que são justamente os maiores desafios das startups. Como a taxa de sucesso de uma startup está na razão de um em cem, os recursos de Corporate Venture Capital devem ser aplicados em escala industrial, visando criar a tração necessária a descoberta do 1% das possibilidades de investimento com retorno estratégico e financeiro. Considerando que o Brasil é o campeão de empreendedorismo, mas o último do ranking mundial em inovação, constata-se que somos ótimos em criar soluções que não servem para resolver problemas reais do mercado, tornando o desafio maior ainda. O desafio está em implantar um fundo de Corporate Venture Capital, dentro de um programa corporativo de inovação aberta, capaz de atrair os melhores empreendedores e startups que, no futuro, se transformem em ativos estratégicos das corporações.
*Rodrigo Cantusio Segurado é sócio fundador e CEO da Cirrus Management Consulting, diretor da área de Educação Executiva do ISE Business School e professor do MBA de Economia Criativa da ESPM.

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