Afinal, como funciona o mercado de ações?

As vantagens, riscos e nuances do mercado, que já conta com mais de três milhões de investidores



Afinal, como funciona o mercado de ações?

Imagem: jcomp | Freepik

O mercado de ações tem atraído novos investidores e entusiastas da renda variável. Não é à toa que o número de cadastros na bolsa de valores vem batendo recordes nos últimos anos, chegando a mais de três milhões, de acordo com o último levantamento da B3.

Dentre os grupos de destaque, os jovens e as mulheres tiveram o maior crescimento de contas abertas. O número de investidoras chegou a 1 milhão no início de 2021 — um crescimento de 674% nos últimos cinco anos, representando quase 30% de todos os investidores. Já o número de jovens de até 25 anos cresceu 870% de dezembro de 2018 a março de 2021, e hoje equivale a cerca de 10% do total de pessoas físicas investindo na B3.

O crescimento exponencial dos novos CPFs registrados se mostra muito positivo por um lado. Por outro, acende-se o alerta da fundamental importância da educação financeira para que essa nova geração de investidores adquira conhecimentos que os ajudem a planejar e compreender melhor o mercado financeiro. Assim, não entrarão em “ciladas” das redes sociais e perderão dinheiro.

Compra de ações, análise de empresas, falências, grandes altas, quedas inesperadas. O mercado de investimentos vai além da compra e venda de ações e deve ser muito bem estudado pelos iniciantes nesse universo antes de qualquer decisão.

O que é uma ação?

Para entender como funciona o mercado de capitais, primeiro é necessário saber o que é uma ação. Imagine que a empresa que você quer investir seja uma pizza. Imaginou? As ações são os pedaços da pizza que são divididos em tamanho igual para todos.

Ou seja, uma ação representa o “menor pedaço” de uma empresa. Tecnicamente falando, é a menor fração do capital de uma companhia. Quem compra esses papéis ou faz um investimento tem participação nos lucros — dividendos, juros sobre o capital, etc. — das empresas investidas, podendo, inclusive, ter direito a votar nas decisões da organização, caso tenha ações ordinárias (aquelas que dão direito a voto).

Assim, o mercado de ações, como o próprio nome já diz, é onde se faz as transações de compra e venda. Para isso, precisamos usar uma bolsa de valores, como a B3 aqui no Brasil, para intermediar essas transações entre os vendedores e os compradores.

De onde vem o dinheiro do mercado de ações?

Como explicado anteriormente, as ações das empresas listadas em bolsa são participações em seu capital. Assim, existem três formas básicas de ganhar dinheiro com esse tipo de investimento:

  1. com proventos pagos em dinheiro (como dividendos e juros sobre o capital próprio);
  2. valorização das ações (ganho de capital);
  3. aluguel de ações.

Os proventos pagos em dinheiro — vamos chamá-los de dividendos daqui para frente — são os lucros da empresa distribuídos aos seus acionistas, que são as pessoas que detêm as ações. Frequentemente (a cada mês, trimestre, ano, etc.), uma determinada porcentagem dos lucros da companhia (normalmente 25%) é dividida entre os seus acionistas. Nesse sentido, quanto mais ações, mais lucros o investidor pode receber.

Entretanto, aqui também começam os riscos e a importância das análises e estudos de mercado. Se o objetivo é ganhar dinheiro com os dividendos, é importante avaliar a situação financeira da empresa e comprar ações de companhias sólidas, em que margem de lucro e geração de caixa não variem tanto. Caso a empresa for mal em seus negócios, por exemplo, os dividendos recebidos pelo investidor serão menores ou até deixarão de ser distribuídos até que a questão seja resolvida.

O ganho de capital, ou valorização das ações, depende de outros fatores do mercado: o sentimento dos investidores em relação ao futuro da companhia, as mudanças em suas diretrizes e as escolhas de governança são alguns exemplos. Assim, se o propósito é lucrar comprando as ações a um preço mais barato e vendendo a um preço mais caro, é importante estar atento a todas as notícias e novidades das empresas, análises setoriais, cenário econômico e políticas interna e externa para avaliar o momento certo de compra e venda das ações ou outros ativos negociados na bolsa.

Já o aluguel de ações é uma remuneração adicional menos conhecida pelos investidores iniciantes. Estranho falar em aluguel de ações? Vamos entender com um exemplo hipotético. Quando você compra um ativo, você acredita na valorização dele e pretende mantê-lo a longo prazo. Porém, outros investidores, analisando o mercado, podem acreditar que esse mesmo ativo sofrerá uma desvalorização. Dessa forma, quem acha que o ativo se desvalorizará pode tomá-lo emprestado de quem o possui na carteira e, então, fazer movimentações na bolsa para gerar lucro de curto prazo. O investidor que tomar o ativo emprestado deverá pagar uma taxa a quem emprestou, que pode variar de quase 0% a mais de 30% ao ano.

Investir comprando ações de boas empresas pode ser um maravilhoso caminho para a multiplicação do seu patrimônio, porém o investidor — em especial quem está iniciando na bolsa — deve ter plena consciência dos riscos, assim como dos potenciais benefícios. Lembre-se de que as ações sobem e descem todos os dias e você não pode se deixar levar por essas movimentações diárias que, muitas vezes, são irracionais.

Como começar a investir?

Para investir no mercado de ações, o primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora de investimentos. As corretoras são as instituições autorizadas a intermediar as operações de compra e a venda de ações junto à bolsa de valores, dando segurança aos investidores. Elas cobram um valor para executar as ordens de compra e venda emitidas pelo cliente, podendo ser um valor fixo ou um percentual sobre o valor da operação. Mas pesquise bem, pois existem muitas que oferecem esses serviços gratuitamente hoje em dia.

E o que faz a bolsa de valores?

A bolsa de valores é que possibilita, de fato, a interação entre os compradores e vendedores do mercado de ações. A bolsa reúne praticamente todo o ecossistema de compra e venda, desde as empresas listadas até as corretoras e os investidores.

Para uma empresa ser listada na bolsa, é necessário abrir capital ou fazer um IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês). De forma geral, isso significa que a organização sairá do âmbito privado e se tornará uma empresa “pública”, no sentido informacional e de investimentos, podendo vender ações e conquistar mais acionistas e, consequentemente, angariar mais dinheiro para investir no seu crescimento. Porém, o processo de IPO não é tão simples. A partir do momento que uma companhia abre capital, ela tem que prestar contas de todas as suas operações para os órgãos reguladores e investidores.

Quem regula o mercado de ações?

Existem algumas instituições que regulam todas essas transações e ativos. O xerife do nosso mercado é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), uma autarquia federal que tem a responsabilidade de fiscalizar, disciplinar e desenvolver o mercado de ações no país.

Assim, se são realizadas operações suspeitas de manipulação de mercado, se as empresas não estão sendo transparentes sobre as informações fornecidas ou mesmo se o investidor está usando informações privilegiadas para fazer operações, a CVM entra em cena para tomar as medidas necessárias e manter o ecossistema do mercado de ações saudável para empresas e investidores.

Outra instituição que ajuda a chefiar o mercado de ações é a BSM Supervisão de Mercados. Assim como a CVM, ela monitora e fiscaliza, mas também ressarce os investidores em até R$ 120 mil por ocorrência de perdas causadas por corretoras e agentes autônomos, de acordo com critérios estabelecidos pela organização. A BSM é ligada à nossa bolsa de valores, a B3, e também administra o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), que faz a avaliação para a recuperação de valores.

O mercado de ações é um universo com muitas possibilidades, desafios, riscos e vantagens. Saber administrar os valores investidos e analisar bem a situação das empresas listadas e o momento político-econômico do país pode ser decisivo para ter êxito ou falha nos investimentos.

Estude, informe-se, defina seus objetivos e tenha cautela ao começar a investir. Isso, aliado à paciência e persistência, será a chave para se tornar um investidor de sucesso. Bons investimentos!


Felipe Pontes (felipe.pontes@tc.com.br) é Diretor Educacional e de Pesquisa & Desenvolvimento do TC, além de gestor do Azure Clube de Investimentos

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