Valor para o acionista

Com dinheiro em caixa após dois lançamentos de ações, Perdigão partiu para aquisições sem desgrudar o olho do EVA — e o mercado reconheceu esse esforço

Especial/Relações com Investidores/As Melhores Companhias para os Acionistas 2008/Reportagens/Edições/Temas / 1 de setembro de 2008
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O ranço antipático de ser uma empresa familiar mal administrada saiu, há algum tempo, da biografia da Perdigão. Aquele que era um frigorífico de abate de frangos e suínos e que quase foi à lona no começo da década de 90, ainda sob o controle dos Brandalise, transformou-se num colosso na área de alimentos. Expandiu, foi às compras e se diversificou. Engordou o cardápio, agora com mais de 2,5 mil itens, que vai do simplório frango resfriado, passando pelo presunto cru, até pratos prontos para o consumo.

Ao mesmo tempo em que fisgou os consumidores caprichando no menu, a companhia, fundada há 74 anos em Santa Catarina por imigrantes italianos, também trabalhou firme para conquistar um cliente bem mais rigoroso: o mercado de capitais. Deixou no passado distante a crise de liquidez enfrentada década atrás e, em 2006, aderiu ao Novo Mercado da Bovespa, seguindo fielmente a cartilha formada de regras rigorosas. Este ano, a empresa negocia, em média, um volume financeiro de US$ 36 milhões por dia — 120% superior ao que movimentava em 2007.

A dobradinha cardápio saboroso e gestão de qualidade fez com que a Perdigão ganhasse medalha de prata no ranking Melhores Companhias para os Acionistas, da CAPITAL ABERTO, na categoria de valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões, em que disputou com outras 34 companhias. Nos cinco quesitos avaliados – liquidez, variação do retorno econômico, retorno da ação, governança corporativa e sustentabilidade –, a Perdigão levou nota 10 em governança. A média da categoria das empresas nessa mesma faixa de valor de mercado foi de 7,78.

“Fomos a primeira empresa de alimentos a aderir ao Novo Mercado da Bovespa, temos o controle difuso e, depois de um rigoroso processo de aperfeiçoamento de controles internos, fomos certificados pelo cumprimento às exigências da Lei Sarbanes-Oxley”, diz Nildemar Secches, presidente da companhia.

A Perdigão também se destacou no quesito retorno econômico da ação, o Total Shareholder Return (TSR). Cravou nota 3,02, enquanto a média da categoria foi zero. “Nos últimos 13 anos, temos garantido um retorno médio de 35% aos nossos acionistas”, diz Secches, que orquestrou a virada da empresa assim que oito fundos de pensão capitaneados pela Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) tomaram o controle.

Para o executivo, esse retorno está sustentado por um tripé: a atualização do parque tecnológico, a partir de 1995, quando houve a mudança do controle acionário; a expansão da empresa para o Centro-Oeste, aproximando-se de um importante pólo de matéria-prima; e as sucessivas aquisições, que permitiram a entrada em novos segmentos de negócios, como lácteos.

A série de aquisições se acelerou depois que a própria Perdigão recebeu uma oferta hostil da sua principal concorrente, a Sadia, controlada pela família Fontana. Mas os acionistas rejeitaram a proposta. No fim do mesmo ano, a Perdigão reforçou o caixa com uma oferta primária de ações, captando R$ 800 milhões. No ano seguinte, fez nova operação levantou mais R$ 900 milhões.

Em ambos os casos, os recursos serviram para bancar aquisições. A mais importante delas foi a compra da Eleva Alimentos, que somou R$ 1,2 bilhão. O caixa reforçado permitiu ainda que a empresa assumisse o controle integral da Batávia e entrasse no ramo de margarinas ao comprar, da Unilever, as marcas Doriana, Claybon e Delicata. Também adquiriu, em 2007, por R$ 100 milhões, uma unidade de bovinos da Valore Participações e Empreendimentos, que operava sob a marca Unifrigo. O negócio de bovinos, porém, sofreu reveses. Com a alta do preço da arroba de boi e das margens apertadas no mercado interno, a empresa paralisou, em meados de agosto, as atividades da planta de Mirassol D’Oeste (MT) e interrompeu a sede por arrebanhar novos frigoríficos.

No começo do ano, levou a Cotochés, indústria do segmento de lácteos localizada em Minas Gerais, pelo montante de R$ 54 milhões, mais a assunção de uma dívida de R$ 15 milhões. A série de compras, porém, deu uma rasteira no balanço da empresa no último trimestre. Ao reconhecer o ágio (diferença entre o valor contábil e o valor de mercado do ativo adquirido), a Perdigão amargou um prejuízo de R$ 881,8 milhões no segundo trimestre do ano, ante um lucro de R$ 70,8 milhões em igual período do ano anterior.

Depois de recusar oferta hostil da concorrente Sadia, empresa deu início a uma sua série de aquisições

Mas o efeito contábil e não recorrente, segundo a companhia, não vai prejudicar o pagamento de dividendos aos acionistas. Até porque, não fosse esse item extraordinário, a perda daria lugar a um ganho de R$ 102,5 milhões. Secches diz que as estratégias da Perdigão são delineadas para um plano de negócios de, no mínimo, cinco anos, “visando crescimento e agregação de valor”.

Por isso, ele afirma que o conceito de retorno econômico (EVA), batizado internamente como Mais Valor Perdigão (MVP), engloba uma metodologia para avaliar, executar e comunicar as estratégias de investimentos e operacionais. Talvez isso ajude a explicar por que a variação de EVA da Perdigão, na escala de zero a dez, somou 2,08, enquanto a média de categoria ficou em 0,38.


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