Linha (des)congestionada

Reestruturação prejudica os papéis da Brasil Telecom, mas companhia começa bem a nova fase

Captação de recursos/Temas/Edição 71 / 1 de julho de 2009
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Para quem tem pouca habilidade e escasso conhecimento no intricado mercado de telefonia, com tantas idas e vindas e um emaranhado de conexões, avaliar o comportamento dos papéis dessas companhias pode ser bem complicado. A começar pela empresa em questão — a Brasil Telecom. Uma rápida e desatenta olhada pode crucificar a empresa toda, apenas porque uma de suas ações não vai bem e teima em despencar no pregão.

Mais conhecida como BrT, a companhia nasceu da quebra do monopólio da telefonia, em 1998. Na época, era uma operadora de telefonia fixa que servia os estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Chamava-se Tele Centro Sul. Depois de agrupar nove ex-estatais e ainda comprar a CRT, da Telefônica, essa colcha de retalhos se transformou na Brasil Telecom. E que agora virou Oi. Mas a Oi, por sua vez, era a ex-Telemar, que nasceu em 1999 da fusão de 15 ex-estatais (do Rio, passando pela Bahia, até o Amazonas). A Oi comprou a Brasil Telecom por R$ 5,371 bilhões, numa operação finalizada em abril último.

Juntas, BrT e Oi, rebatizadas unicamente de Oi, formam o que o mercado apelidou de supertele. A companhia oferece um menu robusto, composto por telefonia fixa, móvel, internet e todo tipo de produto relacionado a telecomunicações. No primeiro trimestre do ano, registrou receita bruta de R$ 11,2 bilhões, aumento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2008. Além disso, foi a empresa de telecomunicações que mais cresceu no país no período, angariando 1,7 milhão de novos clientes e encerrando os três primeiros meses do ano com 57,7 milhões de usuários.

Mas o papel da Oi não está listado na bolsa. E sim os da Telemar, sua controladora, por meio da Tele Norte Leste Participações (holding do grupo) e da Telemar Norte Leste (a empresa operadora). E a Brasil Telecom, que agora já está dentro da Oi, ainda tem papéis no pregão, segmentados em ações da holding e da empresa operacional. Tanto um como o outro não estão exatamente à deriva, embora os da BrT pareçam. Depende como e qual papel se olha. Quem foca nas ações ordinárias da Brasil Telecom — tanto da empresa operacional (BRTO3) quanto da holding (BRTP3) —, pode se entristecer ao constatar que, no acumulado do ano, ambas perderam valor. Os papéis da BRTP3 registram queda de 46,18% no ano, até o primeiro dia útil de julho. E os da BRTO3, desvalorização de 31,53%. A dupla de ações ordinárias da BrT passou por uma oferta pública de aquisição (OPA) mandatória, no dia 23 de junho, numa transação que movimentou R$ 2,564 bilhões na Bovespa. Essa OPA faz parte do processo de compra de 61,2% da Brasil Telecom pela Telemar. Foi uma operação de tag along, em que o os minoritários poderiam vender os papéis a 80% do valor da transação inicial.

Nessa transação, o preço do papel da holding ficou em R$ 64,71. O da empresa operacional, em R$ 60,64. A adesão foi grande, em ambos os casos — fato esse que deve tirar a liquidez das ações ordinárias, como observa o analista Alex Pardellas, da Banif corretora. “Nem vou mais acompanhar o desempenho dessas ações”, diz. “O free float vai ser mínimo, não haverá liquidez”, emenda o especialista em telecomunicações.

Pardellas afirma, no entanto, que vai olhar com lupa os papéis preferenciais da mesma BrT — tanto os da companhia operacional (BRTO4), quanto os da holding (BRTP4). Ele recomenda a compra desses papéis, que estavam cotados, no último dia de junho, a R$ 13,20 e a R$ 15,38, respectivamente. A desvalorização das ações PN nos últimos meses também se deve à OPA realizada pela companhia. Com as perspectivas de receber um tag along de 80%, muitos investidores correram para comprar ações ON da Brasil Telecom, o que desvalorizou as preferenciais no mercado. Agora, com a previsão de que as ações ordinárias percam liquidez, as PN podem voltar com força. Para o fim do ano, Pardellas acredita que as preferenciais da holding baterão na casa dos R$ 22, enquanto os da empresa operacional alcançarão R$ 27,50.

Outro analista, que prefere não ter o seu nome divulgado, acha que quem deseja investir em Brasil Telecom deve focar nos papéis da Telemar. Neste caso, também é preciso fazer um exercício de paciência e se certificar em qual papel apostar. A Telemar está listada na bolsa por meio da Tele Norte Leste (TNLP), holding que encabeça o negócio, e pela Telemar Norte Leste (Temar) — a empresa que reúne a gigantesca operação de telefonia do grupo. Tanto uma quanto a outra têm preferenciais e ordinárias. Segundo ele, um investidor estrangeiro prefere optar pelos papéis da holding, que é a cabeça de tudo. “A consolidação societária e as decisões que serão seguidas pela companhia operacional saem dela, bem como a opção de quanto vai se pagar de dividendo”, observa.

Apostar nos papéis da empresa operacional, no entanto, é como investir no coração da companhia, onde está o enorme fluxo de caixa e de onde certamente virão os dividendos. Portanto, torna-se também uma ação com mais liquidez.


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Tags:  telecomunicações Brasil Telecom Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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