Jeitão de empresa privada

Para se tornar a segunda maior companhia de energia do Brasil, atrás apenas da Petrobras, Cemig busca ser referência em gestão e governança corporativa

Governança Corporativa/Temas/Reportagem/Governança Corporativa - Coletânea de Casos 2012 / 1 de julho de 2012
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Com um valor de mercado superior a US$ 28 bilhões, a Cemig se tornou, em seu aniversário de 60 anos, uma das mais valiosas empresas do setor de energia elétrica da América Latina, superando a gigante Eletrobrás. Nos últimos doze meses encerrados em 8 de junho, as ações preferenciais da estatal mineira, as mais líquidas, acumularam alta de 59,4%, enquanto o índice Bovespa registrou queda de 13,6%. A valorização dos papéis reflete a confiança do mercado na administração da Cemig. Além de um caixa robusto, que fortalece sua posição de consolidadora do setor, a companhia possui como atrativo uma estrutura de governança que dá voz aos minoritários e lhe confere um estilo de empresa privada — características que podem ajudá-la a conquistar, até 2020, a meta de ser a segunda maior empresa de energia do Brasil, atrás apenas da Petrobras.

Criada pelo então governador Juscelino Kubitschek para apoiar um amplo programa de modernização, diversificação e expansão do parque industrial do Estado, a Cemig abriu o capital em 1972. Em 2001, aderiu ao Nível 1 de governança corporativa da BM&FBovespa. O compromisso da empresa em alinhar sua estratégia aos interesses dos acionistas está expresso em seu planejamento estratégico de longo prazo, cujos pilares são: excelência na gestão financeira, foco no setor elétrico e crescimento com geração de valor. “Para demonstrar nosso compromisso com esses pontos, eles foram incluídos no estatuto social”, afirma o diretor de finanças e relações com investidores (RI) da Cemig, Luiz Fernando Rolla.

Segundo ele, desde a criação da companhia, em 1952, o governo de Minas Gerais tem proporcionado as condições necessárias para a administração da Cemig atuar de forma profissional e garantir o crescimento econômico do estado em parceria com os investidores privados. Um exemplo disso é a tática do governo mineiro de incentivar a instalação de empresas no estado por meio da política da Cemig de comercializar energia a preços mais competitivos para clientes com excelente qualidade de crédito.

Atualmente, o conselho de administração da Cemig é composto de 14 membros indicados pelos acionistas. Desses, cinco são considerados independentes segundo as definições do Código de Melhores Práticas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e do Dow Jones Sustainability. O estado de Minas Gerais, acionista majoritário da companhia, elege oito membros. Em 2011, o board da Cemig realizou 26 reuniões. No início de cada uma delas, os conselheiros devem se manifestar sobre possíveis conflitos de interesses em relação aos assuntos da pauta. De acordo com o diretor de RI, a presença de conselheiros independentes dá maior transparência à gestão e enriquece os debates em relação à estratégia da companhia.

Dentre os acionistas minoritários da companhia está a Andrade Gutierrez, que adquiriu uma fatia de 33% do capital da estatal mineira em 2010. Além de assentos no conselho de administração, a construtora, também de origem mineira, recebeu o direito de indicar o executivo responsável pela diretoria de novos negócios. A área foi criada, em 2011, com a missão de analisar oportunidades para a empresa.

Em abril, obstinada por ganhar eficiência operacional, a Cemig anunciou o resultado de estudos que indicam oportunidades de corte de custos de até R$ 600 milhões para os próximos três anos. A empresa não detalhou como pretende atingir essa redução, mas a declaração agradou ao mercado. “Essa notícia é bastante positiva, pois mostra o desejo da companhia de se tornar ainda mais eficiente”, diz o analista Marcos Severine, do Itaú BBA.

Neste ano, o setor elétrico passa pela terceira revisão periódica de tarifas. A cada quatro ou cinco anos, em média, o órgão regulador inicia esse processo com o objetivo de garantir uma tarifa justa para os consumidores e estimular o aumento da eficiência e da qualidade do serviço de distribuição de energia elétrica. Nesse ciclo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reduziu de 9,95% para 7,5% a taxa de remuneração do capital investido das distribuidoras, o que deve mexer com as estimativas de receitas das empresas.




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