Pedro Damasceno e Bruno Rudge

Desafios novos

Bimestral/Governança Corporativa/Relações com Investidores/Reportagens/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
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Com US$ 3 bilhões sob gestão no Brasil e outros US$ 700 milhões em Londres, a asset carioca Dynamo é uma das mais respeitadas do País. Afinados no discurso e fundamentados na ideia de que seu sucesso é resultado do trabalho em equipe — o time é praticamente o mesmo desde a fundação, há 20 anos —, os sócios Pedro Damasceno e Bruno Rudge dispensam os créditos personalizados. Para eles, os próximos anos serão de instigantes desafios para os reguladores: “A graça de uma companhia de capital disperso é a democracia, mas o arcabouço ainda não está preparado para que as decisões nessas empresas ocorram necessariamente de forma democrática”.

Política econômica
“Todo governo, não importa a diretriz, já descobriu que a inflação é relevante, e as contas públicas também. O que é muito importante agora para o desenvolvimento das companhias e o fomento da competição é a eficiência microeconômica, que vai desde a compra de um imóvel até um grande projeto de infraestrutura. Isso, infelizmente, retrocedeu nos últimos anos.”

Desenvolvimento
“O País precisa mudar a mentalidade. O capital deve ser remunerado, e o empresário tem que competir globalmente. Ele não pode ir a Brasília reclamar a cada vez que o câmbio sobe ou desce. Lembra a Lei de Informática [aprovada pelo Congresso em 1984, criava uma reserva de mercado para as empresas de capital nacional]? Qual é a indústria de informática que temos hoje no Brasil? Não adianta proteger um negócio para o qual não temos vocação nem vantagem competitiva.”

Arcabouço regulatório
“Ainda não estamos preparados para um mercado de capital pulverizado ou mesmo para a figura de um acionista representativo. Como tratar, por exemplo, o investidor que não é acionista e não tem compromisso com a companhia, mas aluga uma ação e vai a uma assembleia votar porque ele está short ou tem ações de um concorrente? Existem controladores e minoritários mal-intencionados.”

Uma ação, um voto
“Não necessariamente esse é o modelo ideal. Temos empresas com uma ação, um voto que são uma bagunça e outras que têm preferenciais e geram enorme retorno para os acionistas. No passado, discutíamos muito a expropriação dos minoritários, mas hoje essa questão assume um tom totalmente diferente porque avançamos bastante. O desafio agora é descobrir como o management, os controladores e os minoritários podem conviver da forma mais
harmônica possível.”

Superpreferenciais
“Qualquer coisa desproporcional tem uma chance grande de desalinhar interesses ao longo do tempo. Se você atribui muitas qualidades a uma PN, oferecendo benefícios econômicos a ela, isso pode levar o acionista que tem o voto a buscar outras formas de atingir um retorno maior. A questão do alinhamento de interesses é dinâmica e varia conforme o caso.”

Lacunas
“É preciso olhar com atenção as possibilidades de take over nas companhias de capital pulverizado. Hoje temos derivativos, por exemplo, que conseguem esconder os acionistas que participam desses processos de aquisição. De um dia para o outro, pode aparecer um acionista relevante que os demais não conheciam, porque ele estava encoberto por um swap.”

CVM
“Acreditamos que a autarquia pode, e deve, se aperfeiçoar na aplicação de multas — não em regular. O importante é haver sanções elevadas para quem fizer besteira, o que demanda um corpo técnico capacitado e ágil. Nesse sentido, evidentemente, a existência de um orçamento mais generoso ajudaria bastante.”

Próximos dez anos
“A evolução se origina dos problemas. Os últimos dez anos tiveram um avanço grande porque os dez anteriores foram repletos de dificuldades. Provavelmente, nesta próxima década, veremos desafios novos que, na década seguinte, permitirão um amadurecimento importante.”


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Tags:  CVM CAPITAL ABERTO mercado de capitais Minoritários capital disperso Dynamo Pedro Damasceno Bruno Rudge política econômica Lei de Informática controladores uma ação um voto superpreferenciais take over Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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