Qualicorp despenca na bolsa após fechar acordo com CEO 

Os principais acontecimentos para a semana de 1 a 5 de outubro

Semana / 5 de outubro de 2018
Por 


Ilustração: Julia Padula

O anúncio feito pela Qualicorp de que vai pagar 150 milhões de reais ao seu sócio e fundador, José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, para que não venda sua participação na empresa e não crie negócios que concorram com a Qualicorp fez as ações da companhia desabarem cerca de 30% na segunda-feira, dia 1º de outubro. O acordo foi aprovado por unanimidade por seis dos sete conselheiros de administração da empresa — Seripieri, que é um dos integrantes do board, se absteve de votar, por ser parte interessada no acordo.  

A decisão da companhia de pagar a seu fundador essa polpuda quantia ocorre num momento em que a Qualicorp apresenta fracos resultados, por causa do alto nível de desemprego e da dificuldade de reajustar os preços dos seus planos de saúde. E não há perspectivas de melhora no curto prazo — em relatório recente, analistas do BTG reduziram suas estimativas de lucro para a companhia em 14% e 15%, respectivamente, nos anos de 2019 e 2020. Além disso, afirmaram que a aprovação do acordo deixou a visibilidade sobre a governança da empresa “embaçada”. 

A Qualicorp, em comunicado, afirmou que o valor do acordo é “adequado”, dentro dos parâmetros do mercado. Também esclareceu que o contrato não pode ser rescindido antes do sexto ano de vigência, a não ser em caso de tomada hostil de controle ou da destituição da maioria do conselho antes do fim do respectivo mandato. Nessas situações, Seripieri teria que reembolsar o valor da indenização, na proporção do prazo ainda não cumprido.  O acordo indignou diversos investidores.  A XP, por exemplo, já solicitou a revogação do acordo e solicitou que o assunto seja submetido à assembleia de acionistas. 

 

1.10  

– Embraer apresenta esclarecimento à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não ter comunicado, por meio de fato relevante, acordo firmado com a Procuradoria Geral da República Dominicana (PGRD). A fabricante de aeronaves brasileira aceitou pagar 7,04 milhões de dólares para encerrar alegações de violação das leis do país em transação para venda de aeronaves para a Força Aérea dominicana, incluindo pagamento de propinas. A Embraer não considerou os valores financeiramente relevantes para comunicar a multa à CVM.  

 

3.10 

– EDP vence concorrência para construir usina solar para o Banco do Brasil em Januária (MG). O contrato de 45 milhões de reais é válido por 15 anos. Com capacidade de geração de 11 gigawatts-hora (GWh) por ano, a energia que será produzida pela usina vai atender 58 agências do Banco do Brasil no estado. Isso gerará à instituição uma economia de 58% na conta de energia dessas unidades ao longo dos 15 anos contratuais, o que deve representar redução de cerca de 82 milhões de reais nas despesas do banco nesse período.

– CPFL Energia lança CPFL Soluções, empresa que reunirá a totalidade de atividades não reguladas de serviços e soluções da CPFL, como comercialização, eficiência energética, inovação e geração distribuída. A empresa já nasce com uma série de contratos firmados, além de 2 mil funcionários.  

– Grupo Pão de Açúcar informa que o grupo varejista francês Casino, controlador da companhia, não contratou instituições financeiras para prospectar possíveis interessados em adquirir suas operações. O comunicado foi divulgado após notícia publicada pelo jornal Valor Econômico indicar a possibilidade de a venda estar em estudo.

– Petrobras se posiciona contra minuta colocada em consulta pública pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que obriga as empresas a divulgarem suas fórmulas de precificação de combustíveis. O objetivo da minuta é dar mais transparência para o setor. Segundo a Petrobras, as regras propostas gerariam “elevada insegurança jurídica, redução da atratividade dos negócios do setor e desestimulo à concorrência”. Também ressaltou que “o exercício da livre iniciativa só será efetivo se o agente econômico puder preservar os seus segredos empresariais (que compreendem os livros de escrituração comercial, as correspondências, a carteira de clientes, as tabelas e as fórmulas de preços, entre outros)”. A nova resolução deve ser publicada em dois meses, segundo a ANP.
4.10  

– Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaura processo para apurar supostas práticas anticompetitivas cometidas por Raízen, Air BP, BR Distribuidora e GRU Airport. Em 2014, a Gran Petro entrou com representação na autarquia, alegando que essas empresas estariam impedindo sua entrada no aeroporto de Guarulhos para fornecer querosene de aviação. As distribuidoras haviam assinado acordo com a GRU Airport, estabelecendo que a entrada de outra empresa de combustíveis dependeria de aprovação do trio. Segundo o Cade, a medida foi investigada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que concluiu que ela infringia contrato de concessão da administradora com a União. 

– Elon Musk, CEO da Tesla, publica críticas e provocações à Securities and Exchange Commission (SEC) em seu Twitter, uma semana após o regulador do mercado de capitais americano abrir ação na Justiça contra ele por causa de tuíte em que afirmava que fecharia o capital da Tesla. De acordo com o executivo, com sua ação, a “Shortseller Enrichment Commission” (SEC) está contribuindo para enriquecer os short sellers, investidores que apostam na desvalorização dos papéis da companhia.
 

05.10  

Kraft Heinz anuncia criação de fundo de investimento de risco dedicado a aportar recursos em novas empresas desenvolvedoras de tecnologia para indústria de alimentos. De acordo com a companhia, serão destinados até 100 milhões de dólares para a empreitada.  

 – Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da corretora de investimentos Walpires, devido a “grave situação patrimonial e de liquidez, violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição, bem como a existência de prejuízos que sujeitam a risco anormal os seus credores”. Com a liquidação, tornaram-se indisponíveis os bens do controlador da corretora, Sérgio Ferreira Pires, e dos ex-administradores Andre Luiz Silva e Rafael Barbosa Moreira.


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