Investidor do varejo ganha acesso a ETFs internacionais

Na última terça-feira, 12 de julho, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) flexibilizou a regra para o investimento em fundos de índice (ETFs) referenciados em índices internacionais. Agora, o acesso a esse tipo de fundo estará aberto a qualquer investidor — desde que o colegiado da …

Captação de recursos/Seletas/Reportagem/Edição 39 / 15 de julho de 2016
Por 


Ilustração: Rodrigo Auada

Ilustração: Rodrigo Auada

Na última terça-feira, 12 de julho, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) flexibilizou a regra para o investimento em fundos de índice (ETFs) referenciados em índices internacionais. Agora, o acesso a esse tipo de fundo estará aberto a qualquer investidor — desde que o colegiado da autarquia delibere, caso a caso, a possibilidade de dispensa dos requisitos previstos na Instrução 359. Até então, a CVM limitava os ETFs internacionais aos investidores qualificados, com cacife para aplicações superiores a R$ 1 milhão.

A decisão, divulgada por meio de ofício, foi tomada após consulta da BM&FBovespa, que defendeu a necessidade de adequação da regulação por causa de mudanças ocorridas desde a aprovação do primeiro ETF estrangeiro, em 2012. Claudio Jacob, diretor internacional, comercial e de desenvolvimento de mercados da BM&FBovespa, cita como exemplos a “liberação para investimentos em fundos com carteira composta de BDRs nível 1 não patrocinados, o crescimento e o amadurecimento do mercado desde o início da negociação das cotas dos ETFs internacionais e o melhor entendimento das características o produto por parte de investidores e intermediários”.

Daniel Maeda, superintendente de relações com investidores institucionais da CVM, afirma que a mudança de interpretação da norma é o terceiro passo do desenvolvimento dos ETFs no Brasil. O processo foi iniciado em 2008, quando a autarquia propôs que os fundos de índice locais dedicados ao público geral tivessem a possibilidade de dispensa a Instrução 359. “Ganhamos experiência na perspectiva regulatória e de supervisão até que, em 2012, um segundo passo foi dado, com a constituição de dois ETFs internacionais indexados ao S&P 500 [com gestão da BlackRock Brasil e do Itaú]”, diz. Também em 2012, todas as dispensas concedidas pela CVM aos ETFs locais foram incorporadas à Instrução 537. Na prática, os fundos de índice locais passaram a solicitar ao colegiado apenas registro, não dispensa.

ETFs_S39_Pt2

Maeda diz acreditar que restringir o acesso dos ETFs internacionais ao investidor do varejo não faz mais sentido no novo contexto regulatório — existem, afinal, outras opções para ele investir ou se expor ao risco do exterior. O superintendente ressalta, ainda, a importância de ampliação do alcance dessa indústria para o desenvolvimento do mercado de capitais, lembrando que a diversificação do risco é sempre desejável. “O ETF é um produto simples e com capacidade para oferecer benefícios ao investidor de varejo que outras formas de exposição a risco no exterior não teriam, como a possibilidade de negociação da cota no mercado secundário”, avalia.

Até o mês passado, a indústria de ETFs contava com patrimônio líquido de R$ 228 milhões — um crescimento de 407% desde o fim de 2014, quando o montante somava R$ 44,9 milhões. O volume médio diário de negociação de cotas partiu de R$ 1,3 milhão para aproximadamente R$ 6,4 milhões no mesmo período. Para Maeda, o momento de crise não é um problema para o lançamento dos ETFs internacionais voltados ao varejo. “É sempre positivo os investidores terem mais opções de exposição a fatores de risco não associados a essa volatilidade.”

Na decisão proferida pelo colegiado da CVM, foi destacada a necessidade de se acompanhar de perto a aprovação desses fundos, por ainda se tratar de um produto recente no mercado brasileiro. “Até que, se for o caso e se chegue a tanto, tal dinâmica possa ser rediscutida no futuro”, escreveu o colegiado.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  bmfbovespa CVM ETF ETF internacional EFT internacional para o varejo Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
CVM endossa poison pill criada para barrar iminente tomada de controle
Próxima matéria
CSN pede que CVM apure responsabilidades de 18 conselheiros da Usiminas



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
CVM endossa poison pill criada para barrar iminente tomada de controle
Pode um controlador criar uma poison pill às pressas, diante de uma iminente tomada de controle? O colegiado da Comissão...
{"cart_token":"","hash":"","cart_data":""}