Foco dos conselhos em fiscalização é questionado

Sem categoria / Governança / Edição 28 / 1 de dezembro de 2005
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Estudo da consultoria Booz Allen Hamilton questiona a eficácia dos conselhos de administração que possuem foco quase exclusivo na supervisão e no monitoramento dos executivos. De todo o valor destruído pelas grandes companhias norte-americanas entre 1999 e 2003 (incluindo os casos Enron, Worldcom e similares), apenas 13% deveu-se a fraudes e falhas de conformidade com a legislação. Os outros 87% teriam sido causados por erros operacionais ou estratégicos, que poderiam ter sido evitados caso os conselhos tivessem uma preocupação maior com a agregação de valor ao negócio do que com a supervisão dos gestores.Os pesquisadores John Roberts e Don Young, da Universidade de Cambridge, divulgaram os resultados de um estudo denominado “O Papel do Conselho na Criação de uma Organização de Alto Desempenho”. Entrevistaram 40 presidentes de conselho, conselheiros e diretores, e concluíram que a intensa pressão para que os conselhos gastem muito tempo no cumprimento de exigências legais e no relacionamento com investidores tem desviado a atenção do órgão das questões estratégicas e operacionais, aumentando a chance de fracasso corporativo.

Roberts e Young denominaram os conselhos mais sujeitos às pressões de curto prazo do mercado e focados na conformidade de “orientados para o investidor” (investor-driven). Já outros conselhos apresentavam maior blindagem às pressões de curto prazo do mercado e possuíam maior foco nos aprimoramentos de longo prazo. Esse segundo tipo recebeu a denominação de “levados pela estratégia” (strategy-led).

Segundo os autores, os conselhos orientados para o investidor derivam do conceito econômico da teoria de agência (conflito potencial entre gestores e acionistas) e, por isso, apresentam problemas. A crítica dos autores à teoria de agência como principal conceito da governança corporativa é baseada em três argumentos: i) as prescrições para minimizar os custos do conflito de agência parecem não funcionar para prevenir fraudes, conforme se atestou nos problemas com companhias que pareciam seguir as regras de governança recomendadas; ii) tais prescrições parecem criar incentivos perversos ao invés de alinhar interesses, conforme observado em alguns planos de opções de ações; e iii) dada a elevada rotatividade das ações entre os investidores, o conceito de propriedade sobre o qual a teoria de agência repousa não deveria mais ser válido.

 


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