Por trás das cortinas

Ex-corretor de ações expõe armadilhas no caminho de investidores individuais americanos

Prateleira/Edição 138 / 1 de fevereiro de 2015
Por 


BACKSTAGE-WALL-STREET-COVERA história está repleta de exemplos de profissionais arrependidos que contam suas trajetórias como forma de expiar seus pecados. Em Backstage Wall Street, Joshua Brown se propõe a mostrar o que ocorre atrás do pano do grande palco em que se transformou a Wall Street dos investimentos realizados por pessoas físicas.

Com linguagem acessível, ácida e irreverente, o autor descreve todas as artimanhas utilizadas pela indústria da corretagem para comercializar seus produtos de investimento ao público amplo. Uma coisa fica clara desde o princípio: o relacionamento corretor-investidor é contaminado por elevado desalinhamento de interesses. A pressão para gerar comissões na venda de produtos (receita das corretoras) induz naturalmente à oferta de itens que remuneram melhor o intermediário, mas cuja perspectiva de retorno ao cliente é duvidosa.

A cultura de investimento dos Estados Unidos foi fortemente influenciada pela geração dos chamados “baby boomers”, americanos nascidos após a Segunda Guerra. Quem veio ao mundo em 1946 teve a chance de participar de um dos mais longos mercados em alta na história do país (1982-2000) durante sua etapa de poupança na vida (entre 35 e 50 anos). Até que a pesquisa acadêmica e as evidências empíricas deixassem claro para o grande público a dificuldade de bater o índice do mercado, contudo, o modelo prevalecente de investimento era a construção de carteiras individuais. Nesse ambiente de enorme assimetria de informação, as grandes corretoras se estabeleceram como o fio condutor da poupança aos investimentos em ações, e ganharam muito dinheiro.

O livro faz jus a seu subtítulo, funcionando como um guia de sobrevivência para o pequeno investidor. São quatro partes principais. Na primeira, Brown descreve sua trajetória e os conflitos éticos que o levaram a abandonar a vida de corretor. A segunda comenta os problemas do pequeno investidor para executar uma boa estratégia de investimento, tanto em termos de educação financeira quanto em aspectos comportamentais.

Essa dificuldade cria espaço para a parte três, sobre o aconselhamento dos “experts” — a legião de corretores que propagandeiam investimentos com oportunidades de retornos absurdos. Um dos melhores capítulos descreve as rejeições típicas e como os corretores vencem a queda de braço com o cliente: eles simplesmente estão muito bem preparados e já sabem todo o script de negações possíveis. A última parte do livro fala de investimentos que devem ser evitados e outras pílulas de sabedoria.

Numa passagem hilária, o autor faz uma taxonomia dos tipos de fundos ofertados ao público, traduzindo o que a estratégia realmente quer dizer. Por exemplo, onde se lê “fundo diversificado”, leia-se “nós compramos o índice e vamos jogar golfe”; “quantitativo” significa “o gestor leva o crédito nos anos bons e culpa o computador nos anos ruins”; em “cleantech” se oculta “uma cesta de experiências subsidiadas pelo governo e umas ações da GE”.

O livro descreve um arcabouço interessante para avaliar o grau de desalinhamento na relação entre corretor e cliente, comum a qualquer país. Devemos reconhecer que, enquanto a maioria das pessoas se prepara para guardar dinheiro (poupar), poucas entendem como multiplicar esse dinheiro (investir). Já dizia o lendário Benjamin Graham: “Em investimento, inteligência não é uma função do seu cérebro, mas do seu caráter. Independência, ceticismo e controle emocional são as chaves para o sucesso”.

Backstage Wall Street: an insider’s guide to knowing who to trust, who to run from, and how to maximize your investments
Joshua M. Brown
Editora: McGraw-Hill
273 páginas, 1ª edição, 2012


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.

Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 36/mês!
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 36 00

Mensal

Acesso Digital
-
Desconto de 10% em grupos de discussão, workshops e cursos de atualização
Acervo Digital

Completa

R$ 42 00

Mensal

Acesso Digital
Edição Impressa
Desconto de 10% em grupos de discussão, workshops e cursos de atualização
Acervo Digital

Corporativa

R$ 69 00

Mensal

Acesso Digital - 5 senhas
-
Desconto de 15% em grupos de discussão, workshops e cursos de atualização
Acervo Digital

Clube de conhecimento

R$ 89 00

Mensal

Acesso Digital - 5 senhas
-
Desconto de 20% em grupos de discussão, workshops e cursos de atualização
Acervo Digital | Acervo de Áudios



Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie

Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Charge do mês - Edição 138
Próxima matéria
Startups do Alternative Investment Market têm ano ruim



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.




Leia também
Charge do mês - Edição 138
{"cart_token":"","hash":"","cart_data":""}