MiFID II deixa cerca de 300 empresas europeias sem cobertura

Estudo sugere que é esse o impacto da nova realidade das análises de sell side

Relações com Investidores/Internacional / 2 de agosto de 2019
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Ilustração: Rodrigo Auada

Implementada há um ano e meio, a segunda diretiva da União Europeia para instrumentos financeiros (MiFID II, na sigla em inglês) fez um total de 334 empresas listadas na Europa perderem a cobertura de analistas de sell side desde então. É o que sugere um recente estudo de pesquisadores da Universidade de Toronto, da Universidade Concordia (de Montreal) e da Universidade de Londres. A diretiva proibiu a prática, antes comum no mercado, de venda casada de relatórios de análise e serviços de corretagem. De acordo com os pesquisadores, é provável que as avaliações de sell side não tenham tido apelo comercial suficiente para fazer os investidores pagarem por elas.

Embora tenha deixado muitas empresas “no escuro” em termos de análise, a implementação da MiFID II teve por ora um efeito curiosamente positivo: a melhora da qualidade das avaliações feitas para as empresas que continuam sendo cobertas. A hipótese dos autores do estudo é que tenham saído do mercado de sell side, com a menor demanda pelos relatórios, os analistas menos experientes; teria ficado os seniores, capazes de montar análises mais elaboradas. Quanto ao aumento do número de profissionais trabalhando no buy side o estudo não tem dados conclusivos, mas os pesquisadores levantam a possibilidade de ter havido uma migração do sell side provocada pela mudança de cenário com a nova diretiva.

Os autores dizem que o mapeamento dos primeiros efeitos da regulação na Europa pode servir de base para conjecturas a respeito do que aconteceria se diretiva semelhante fosse adotada no mercado americano.


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