Quando começar a se preparar para o IPO
As janelas de oportunidade para acesso ao mercado de capitais abrem e fecham rapidamente. Logo, estar preparado com antecedência pode ser o fator decisivo para o sucesso de uma oferta
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O custo fixo das empresas durante o processo costuma ficar entre 3 milhões de reais e 10 milhões de reais no Brasil | Imagem: Freepik

Imagine que você seja um empreendedor que transformou sua ideia em um negócio, realizou sua primeira venda, cresceu, contratou e treinou funcionários, prosperou, passou diversas noites em claro e, ao final de vários anos de muito trabalho, viu sua empresa se tornar líder de mercado, com crescimento sólido e oportunidades de expansão para novas áreas. Para buscar estas oportunidades, você precisa de recursos de investidores, pois seu fôlego financeiro já não é suficiente. Neste momento, surge a ideia de abrir o capital na Bolsa de Valores, com uma oferta pública inicial de ações (Initial Public Offering – IPO, em inglês) 


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A partir daí, começa a jornada de preparação. Primeiro você seleciona os bancos que irão assessorá-lo, em um processo de escolha bastante complexo e para o qual você tem pouco embasamento. Em seguida, deve contratar pelo menos quatro escritórios de advocacia que irão auxiliar no IPO. A fatura começa a ficar alta, mas você continua certo de que valerá a pena.  

A realidade do que é ser uma empresa aberta começa a aparecer, e você percebe que precisa contratar pessoas para diversas áreas, como a de Relações com Investidores (RI) — sem falar no reforço para as equipes financeira e de controles operacionais, para cumprir os prazos regulatórios e ajudar a revirar a companhia para atender as demandas de informação dos assessores. Tudo isso enquanto se esforça para manter a operação a pleno vapor. Quando acha que vai ter um pouco de sossego, chega o momento de falar com os investidores. São dezenas, às vezes centenas, de reuniões para você tentar “vender seu peixe”.  

Tudo caminha para que sua trajetória seja premiada com o tão sonhado IPO. Você já está contando com os recursos e começa a fazer compromissos de investimento, até que na semana marcada para estrear suas ações na bolsa, estoura alguma crise (como Joesley Day, Guerra na Ucrânia, tsunami no Japão, Covid 19, etc). Aqueles investidores que semanas atrás estavam tão interessados desaparecem como num passe de mágica.  

Janelas voláteis

Isto não é tão incomum como parece. O mercado de ações é caracterizado por períodos (janelas) favoráveis e desfavoráveis para emissões de papéis, marcados pela mudança no apetite dos investidores por ativos de renda variável. Fatores macroeconômicos, como alterações significativas na taxa de juros, perspectivas de crescimento do país, crises políticas, entre outros, determinam a abertura e o fechamento dessas janelas, que podem durar de alguns meses até anos. A volatidade e imprevisibilidade das janelas acabam inviabilizando algumas ofertas. 

Um estudo feito pela equipe do Ártica em parceria com a B3 e o Insper, chamado “IPO na prática”, mostra que, entre 2018 e 2021, 182 empresas tentaram realizar um IPO, das quais 55% não tiveram sucesso. Um dos principais motivos para o insucesso é porque muitas perderam o timing. A demora de algumas companhias para realizar os movimentos de preparação necessários, com a janela de listagem se fechando antes que elas terminem o processo, foi o grande fator de insucesso. 

Entre os prejuízos de um IPO malsucedido, além da frustração para o empreendedor e seus executivos, há o fato de que a empresa pode ter tornado públicas, inclusive para seus competidores, informações sobre sua operação e estratégia sem obter o benefício de ser listada em bolsa.  

O custo fixo das empresas durante o processo costuma ficar entre 3 milhões de reais e 10 milhões de reais no Brasil — fora a comissão a ser paga aos assessores financeiros em caso de sucesso da oferta. Estar preparado com antecedência é essencial, mas tentar prever quando a janela de IPO estará aberta é uma tarefa ingrata e, muitas vezes, inútil. Seria algo parecido como tentar adivinhar quando o Ibovespa vai bater a máxima nos próximos 12 meses.  

O processo de preparação para o IPO pode levar de 1 a 3 anos, sendo que em média as empresas levam 2 anos. Uma vez que a companhia esteja preparada para se tornar pública, inicia-se o processo formal, que no Brasil leva cerca de 3 a 4 meses. Sem a pretensão de ser exaustivo, seguem abaixo algumas razões que mostram o porquê ser um dos primeiros nas janelas é tão importante: 

  1. Tão difícil quanto prever quando uma janela de listagens irá se abrir é prever o tempo em que ela permanecerá aberta (podendo durar de poucos meses a alguns anos). Sendo assim, existem algumas vantagens adicionais em ser uma das primeiras companhias a fazer o IPO. É preciso minimizar a probabilidade de fechamento da janela do mercado acionário; 
  1. Os bancos e assessores ficam mais focados nos primeiros IPOs, pois não estão dividindo atenção com outras ofertas daquela janela; 
  1. Ser o primeiro também pode ajudar a ancorar o valuation, especialmente para empresas de setores que não possuem concorrentes listados em bolsa; 
  1. Menor competição de “bolsos” entre as ofertas daquela janela, em decorrência da limitação de alocação por parte de investidores em determinado setor ou geografia (especialmente para os investidores internacionais). 

Ter as ações negociadas na bolsa representa uma nova fase da companhia e, de forma geral, as empresas listadas são as líderes nos seus segmentos de atuação. Para 92% dos empresários que participaram do estudo, o IPO foi benéfico para o seu negócio. 

O processo de listagem, entretanto, é longo, complexo e recheado de nuances técnicas. Pequenas falhas na comunicação com os investidores, ou um atraso de apenas algumas semanas, pode ser a diferença entre conseguir realizar o IPO ou não. Assim sendo, estar preparado pode ser fator chave para conseguir acessar o mercado no melhor momento possível.  

*Érico Nikaido é sócio do Ártica, escritório de assessoria financeira em operações de fusões e aquisições, captação de recursos e preparação para IPOs.

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