O que é um IPO e como uma companhia abre o seu capital

Também chamado de oferta pública inicial, o IPO permite que empresas passem a negociar ações na bolsa de valores



O que é um IPO e como uma companhia abre o seu capital
Imagem: Freepik

O Nubank divulgou no dia 27 de outubro um comunicado afirmando que entrou com um pedido para abertura de capital. O movimento da Nu Holding, controladora da fintech, acontece simultaneamente no mercado dos Estados Unidos e no Brasil. O pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) do Nubank era um dos mais aguardados pelos investidores. Ele faz parte da onda de ofertas que curiosamente se iniciou em 2020, a despeito da pandemia de covid-19 e de todos os efeitos negativos que a crise sanitária trouxe para a economia mundial. Entre janeiro e novembro deste ano, 44 empresas realizaram IPOs na bolsa de valores brasileira, a B3 — o número, cabe frisar, é o maior já registrado desde 2007. 

A decisão de abrir capital é uma das mais importantes para as companhias. O processo gera impactos não só sobre a estrutura societária da empresa, mas também sobre seu nível de transparência e prestação de contas. Mas, na prática, o que é um IPO? Por que ele é importante? Quem pode fazê-lo? Quais os procedimentos para abrir o capital de uma empresa na B3?

O que é uma oferta pública inicial (IPO)

A oferta pública inicial de ações (IPO) é, em suma, o processo que permite uma companhia de capital aberto captar recursos de forma pública, vendendo suas ações em bolsa de valores para investidores interessados no seu negócio.

A abertura de capital é feita principalmente por grandes empresas, que possuem um nível de maturidade mais avançado. No Brasil, os IPOs costumam movimentar montantes significativos de dinheiro, sendo que algumas operações chegam a captar bilhões de reais. Não há, contudo, dentre as regras para que uma empresa realize um IPO, uma norma que impeça empresas menores de negociarem ações na bolsa. 

Para levar adiante uma oferta pública inicial de ações, o principal é que a companhia esteja juridicamente constituída como uma sociedade anônima, a popularmente conhecida S.A. Nesse tipo de arranjo, o capital é dividido em ações. Também é necessário que emita relatórios sobre seus aspectos financeiros e fiscais, bem como sobre sua estrutura societária.

A oferta de um IPO pode ser de dois tipos:

Oferta primária

É aquela que acontece quando a empresa emite e vende novas ações no mercado. Nela, o vendedor é a própria companhia, então os recursos captados servem para abastecer seu caixa.

Oferta secundária

Ela ocorre quando são ofertadas ações já existentes. Nesse caso, os recursos levantados são direcionados para os acionistas vendedores, e não para a companhia.



Por que fazer um IPO

Há três motivos principais para uma empresa fazer uma oferta pública inicial de ações. O primeiro deles — e também o mais óbvio — é obter recursos no mercado. Uma vez feito o IPO, as ações da companhia são listadas na bolsa e ficam disponíveis para compra pelos investidores. Se a oferta for primária, os recursos arrecadados vão para o caixa da empresa e podem ser usados para a expansão de seus negócios ou até mesmo para o pagamento de dívidas.

A segunda razão está ligada à liquidez que o IPO traz para sócios e acionistas. Os IPOs secundários abrem a possibilidade desses players se desfazerem de suas participações de forma muito simples, vendendo suas ações em bolsa. 

Já o terceiro motivo tem como pano de fundo um aspecto reputacional. O IPO aumenta a credibilidade da empresa, uma vez que companhias de capital aberto possuem deveres de transparência sobre sua situação financeira e operações. Essas informações são fundamentais para que potenciais investidores tomem suas decisões de forma fundamentada. 

Como se dá o processo de abertura de capital

Após os fundadores da empresa decidirem pela abertura de capital, é hora do planejamento. A estruturação da oferta exige a contratação de vários atores importantes — banqueiros, advogados, auditores, contadores, profissionais de relações com investidores, entre outros. Nessa fase, também é preciso que a companhia verifique se está com suas informações financeiras em ordem, já que uma das exigências legais para o IPO é a apresentação de três anos de balanços auditados.

É preciso ainda que a empresa defina as características da operação — o volume de recursos que pretende captar, se a oferta será primária ou secundária — e pense em sua estrutura de governança.

Registro e listagem

Essa é a etapa mais burocrática do IPO. A empresa precisa, primeiramente, solicitar à CVM o registro de companhia aberta. Também é necessário que peça autorização para realizar a venda de ações ao público e listagem de seus títulos na B3. É durante essa fase que a companhia escolhe em qual dos segmentos da Bolsa quer se listar: Tradicional, Nível 1, Nível 2, Novo Mercado, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2.

Além disso, é preciso que se dedique à preparação do prospecto da oferta. Com formatação pré-determinada, esse documento contém informações não só sobre a companhia e a emissão, mas também sobre os riscos do negócio. 

Roadshow

Finalizada a estruturação, a companhia precisa apresentar seu IPO para potenciais investidores e analistas de investimento. Para isso, as instituições financeiras que assessoram a operação realizam o chamado roadshow. Durante esse processo, que costuma durar algumas semanas, os fundadores e principais diretores da companhia participam de uma série de reuniões, onde têm a oportunidade de apresentar os fundamentos da oferta e as perspectivas do negócio para potenciais interessados em comprar as ações.

Bookbuilding

É nessa etapa que a empresa avalia o interesse dos investidores pelo seu IPO. Para tanto, realiza uma sondagem com investidores para saber o quanto estariam dispostos a desembolsar, considerando uma faixa de preço máximo (teto) e mínimo (piso) para as ações. A partir dessa pesquisa, a empresa consegue projetar qual será a demanda pelos seus papéis e, junto com o banco de investimento que coordena a emissão, definir um preço justo para a sua ação. Esse valor é normalmente divulgado um dia antes do início da negociação das ações em bolsa.  

Cumpridas todas essas fases, a companhia está finalmente pronta para realizar seu IPO na B3.


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