Tensões

Tempos difíceis expõem fraquezas de modo implacável: torna-se praticamente impossível escondê-las, tanto de si mesmo como dos outros. Nesta edição de SELETAS, a crise e sua peculiar capacidade de escancarar tensões são flagradas de algumas formas. Na capa, a midiática briga entre os donos da …

Seletas/Editorial/Edição 38 / 8 de julho de 2016
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Tempos difíceis expõem fraquezas de modo implacável: torna-se praticamente impossível escondê-las, tanto de si mesmo como dos outros. Nesta edição de SELETAS, a crise e sua peculiar capacidade de escancarar tensões são flagradas de algumas formas.

Na capa, a midiática briga entre os donos da Saraiva e os agressivos gestores da GWI, conhecidos por suas grandes apostas com derivativos. Acusações mútuas alfinetam a administração da rede de livrarias de um lado e o ativismo da gestora do outro. No pano de fundo, o conflito estampa aspectos societários pouco explorados, como as munições oferecidas pela Lei das S.As. contra o abuso das minorias.

Colunista desta edição, Geraldo Soares fala das crises sob a ótica das relações com investidores. São essas as situações em que as companhias podem reafirmar — ou não — sua credibilidade perante o mercado. Equipes com visões multidisciplinares ajudam a tomar as melhores decisões, ele alerta. Transparência e agilidade tornam-se atributos indispensáveis.

As turbulências criam também oportunidade para as companhias validarem seu compromisso com a sustentabilidade. É quando as tesouras se impõem sobre os executivos que aspectos sociais, ambientais e de governança estabelecem-se como valores de uma organização. No comando dessas escolhas está o conselho de administração, como mostra a reportagem de Ricardo Kauffman. Se nele existir um ambiente propício à pluralidade e ao confronto, crescem as chances de os interesses de longo prazo prevalecerem.

Em Na web, a esperança de se transformar o limão de uma tragédia em limonada. Aos europeus frustrados com a Brexit, um economista oferece consolo apregoando que a saída do Reino Unido da União Europeia tende a renovar os laços entre os países que acreditam na comunidade e a fortalecer suas economias. Pela sua perspectiva, sim, o copo está
meio cheio.


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