Siderurgia e mineração

Ganhando escala

Especial/Relações com Investidores/Reportagem/Edições/Temas / 1 de setembro de 2006
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O desenrolar da oferta hostil feita por um conglomerado indiano a uma grande empresa francesa no início de 2006 teve todos os ingredientes de uma verdadeira saga entre tribos rivais: em cena, o maior produtor mundial de aço, o grupo Mittal Steel — liderado por Lakshmi Mittal, o terceiro homem mais rico do planeta —, que se lança sobre a Arcelor, primeira companhia do setor em faturamento e a segunda em volume. Cinco meses de intensa disputa depois — seguidos por algumas semanas de conversas amigáveis, quando se definiu um acréscimo de 11 bilhões de euros sobre a oferta inicial —, o negócio é, enfim, fechado. O resultado da fusão, anunciado em junho, é uma companhia com receita combinada em torno de US$ 70 bilhões e uma produção de quase 120 milhões de toneladas de aço ao ano, o equivalente a 10% do total mundial.

O final feliz da negociação entre Arcelor e Mittal abre espaço para que vários outros capítulos se desenrolem em plantas e minas que abastecem o setor siderúrgico em todo o mundo. A fusão dos dois grupos deflagrou novo ritmo ao movimento de consolidação que já estava em curso, inclusive no Brasil. No final de 2005, a própria Arcelor tinha consolidado a aquisição de três companhias nacionais — a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), a Belgo-Mineira e a Vega do Sul (no País, a empresa tem também participação na Acesita). O aumento da competitividade em nível mundial faz com que as empresas brasileiras disputem espaço com players cada vez mais poderosos e busquem expandir sua atuação via aquisições, inclusive no exterior, como faz a Gerdau.

Hoje, o parque siderúrgico brasileiro é formado por 25 usinas, administradas por 11 empresas, que faturam juntas R$ 54,7 bilhões, com produção de 31,6 milhões de toneladas de aço. As siderúrgicas podem ser classificadas em duas categorias, de acordo com o processo produtivo: integradas (fazem a redução, o refino e a laminação) e semi-integradas (refino e laminação). Existem ainda as unidades para refino ou laminação que são chamadas de não-integradas. Quanto à forma, o aço é classificado como semi-acabado, plano e longo. Os setores clientes são o automobilístico, a construção civil e o de bens de capital — dependentes, portanto, de uma atividade econômica aquecida. Grandes exportadoras, as siderúrgicas também sentem a variação do preço do dólar.

Como resultado de uma liga de ferro e carbono, o aço depende da produção das mineradoras. Uma das maiores do mundo está no Brasil — a Companhia Vale do Rio Doce. Para a companhia, o cenário mundial tem sido dos melhores: demanda elevada (principalmente por causa da China) e escassez de produtos de boa qualidade, o que lhe garante um diferencial. Isso porque, embora a China seja uma grande fabricante de minério de ferro, seu produto tem baixo teor de ferro contido (28% contra 68% no Brasil), o que faz com que o país compre minério de ferro brasileiro.

No mundo, quatro economias respondem por 65% das reservas totais de minério contido: Brasil, Rússia, Austrália e China. As maiores exportadoras mundiais são a Vale e as australianas Rio Tinto e BHP Billiton, que juntas detêm 70% do mercado mundial. No Brasil, o mercado de minério de ferro gira em torno de R$ 20 bilhões.

Analistas chamam a atenção para o impacto do processo de consolidação das grandes siderúrgicas mundiais, que pode aumentar o poder de barganha do setor no momento de negociar com as mineradoras. Sinal de que o confronto entre o oligopólio das três mineradoras e os grandes conglomerados siderúrgicos promete.


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