Destruidores de valor

studo mostra os riscos que mais atingiram o preço das ações listadas em bolsa nos últimos anos

Edição 28 / 1 de dezembro de 2005
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Todo executivo que se preze sabe que um bom planejamento é condição determinante para a sobrevivência de qualquer empresa. Ter uma estratégia de ação para se defender das intempéries do mercado vale tanto quanto dispor de um caixa bem forrado. Porém, essa máxima administrativa é comumente esquecida nas companhias que só vêem os resultados contábeis do período como sinônimo de gestão eficiente. Se você tem alguma dúvida quanto à freqüência desse tipo de engano, saiba que as maiores quedas no preço das ações na última década não foram causadas por dificuldades financeiras das empresas. Mas sim pela ausência de uma blindagem eficaz contra os riscos do negócio.

Essa foi a conclusão do estudo Desarmando os Destruidores de Valor, realizado pela Deloitte com base no desempenho acionário das mil maiores companhias do mundo no período de 1994 e 2003 e divulgado no final de outubro. Do total da amostra, foram selecionadas as cem ações com maior depreciação nas bolsas de valores e investigadas as razões de cada uma dessas quedas. Contratos mal negociados pela empresa, erros de avaliação nas parcerias, deficiência competitiva, queda na qualidade da matéria-prima são alguns exemplos de episódios que atingiram em cheio as empresas desprovidas de um plano B para se protegerem desses problemas. “Um mau resultado financeiro pode ser a conseqüência de um erro estratégico cometido três ou quatro anos atrás”, explica Edimar Facco, sócio da Deloitte e um dos responsáveis pelo estudo.

Ao analisarem a conjuntura econômica pela qual passavam as companhias no momento de maior desvalorização das suas ações, os pesquisadores descobriram que as mais afetadas tinham reclamações bastante semelhantes – queda de demanda, inadimplência, fusões mal sucedidas, aumento da concorrência, pressão por preços e briga com fornecedores. Vale notar que essa lista trata somente de questões estratégicas para o negócio. Ou seja: nessas circunstâncias, mesmo uma grande injeção de recursos dificilmente reverteria a crise de credibilidade da companhia e a queda dos papéis. “Sem o gerenciamento de risco, a quantidade de dinheiro em caixa serve apenas para determinar um prazo maior ou menor para a companhia começar a sofrer as conseqüências da crise”, ensina Juarez Lopes de Araújo, da área de gestão de riscos da Deloitte.

Depois da falta de estratégia para driblar imprevistos, o que mais afetou o preço das ações no período da pesquisa foram as questões de ordem operacional – logística, falta de estoque, descontrole contábil, problemas com funcionários etc. Somente em terceiro lugar apareceu o risco financeiro, isto é, a dificuldade de captação, a perda de ativos e o endividamento. Por último no ranking dos destruidores de valor das ações das companhias surgiram os fatores externos. São eles: terrorismo, catástrofes naturais, vulnerabilidades legais e crise no cenário político e econômico.


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