Vale a pena abrir o capital?

Dividir poder nem sempre é fácil, mas os benefícios podem justificar essa decisão

Edição 12 / Legislação & Mercados / 1 de agosto de 2004
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Abrir o capital para o empresário significa vender uma parte de seu patrimônio. A pergunta que ele quer ver respondida é o custo/benefício dessa decisão. Vale à pena abrir, quando e a que preço?

Uma empresa aberta deve ter uma conduta transparente, tanto por imposições legais, quanto do próprio mercado. Isso implica criar um processo decisório compartilhado. Dividir o poder nem sempre é fácil para quem é empreendedor de sucesso. Por outro lado, a experiência demonstra que uma administração profissional agrega mais valor às empresas que a voz isolada do dono.

Essa divisão de poder, em certas situações, limita o empresário, que não poderá mais decidir livremente sobre questões como alienação do controle, diversificação de atividades, aquisição de uma nova companhia ou venda de uma unidade de negócios. Os minoritários investidores devem aprovar essas operações ou delas podem divergir, mesmo se realizadas, perante os órgãos reguladores. Nesses momentos se chocam os interesses, na medida em que os objetivos podem ser os mais diversos. O empresário vislumbra a assunção do risco em troca de benefícios futuros, enquanto os demais sócios esperam obter vantagens mais imediatas com o negócio.

Todavia, para o empresário, a vantagem da empresa aberta pode ser a liquidez de sua posição acionária, principalmente se o bloco de controle se compõe de um grupo de pessoas. Mais fácil alienar em mercado uma posição em um momento favorável do que vendê-la a portas fechadas para um grupo restrito de eventuais compradores.

Com a retomada do crescimento e o interesse dos investidores por ativos de maior risco, o momento atual é especialmente propício para a abertura

Além disso, a empresa aberta tem um canal permanente para captação de recursos em mercado, independente do sistema bancário, e com a vantagem de um custo menor. Boa administração e planos de negócios consistentes conferem credibilidade e reputação, ingredientes para interessar terceiros aplicadores. As portas abertas do mercado configuram um dos maiores benefícios de uma empresa aberta. No mundo atual fica difícil imaginar empreendimentos de grande porte desvinculados do mercado.

Uma decisão importante é a do momento da abertura, pois se trata de vender uma parcela do patrimônio. Evidente que, no curto prazo, quanto maior o preço, melhor para o empresário. Mas pode não ser bem assim, a médio e longo prazos. Um preço muito valorizado pode frustrar expectativas futuras e provocar uma má impressão que dificilmente se apaga ou, no mínimo, leva um bom tempo para ser esquecida.

A melhor alternativa é escolher um momento adequado de mercado, procurar um preço razoável para ambos os lados e proporcionar gradativamente um lucro satisfatório para os investidores. A melhor receita para futuras chamadas de capital que venham a ser necessárias ou convenientes.

Em suma, uma abertura bem feita, uma empresa bem administrada e um plano consistente fazem a fórmula que tem se mostrado infalível. O momento atual é especialmente propício para lançar mão desta estratégia. As regras do Novo Mercado ganharam consistência, os órgãos reguladores têm tido condutas estáveis e confiáveis, a retomada econômica está de volta e os recursos do mercado têm crescido com a redução gradativa das taxas de juros. Trata-se de fixar um bom preço e desenhar um estatuto inteligente que possa distribuir o poder de forma adequada. No mais, boa sorte!


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