Profissional de RI assume papel mais estratégico e foca gestão de riscos

Deloitte | Audit & Assurance / 1 de julho de 2016
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As áreas de relações com investidores (RI) das empresas têm passado, nos últimos anos, por um processo de evolução, como resposta aos novos desafios do mercado e às expectativas de uma atuação cada vez mais estratégica dos profissionais de RI. Atualmente, além de divulgar as informações financeiras e gerir os processos da área com eficiência, o RI precisa estar bastante alinhado aos objetivos de negócio, o que demanda visão diferenciada para lidar com oportunidades e riscos que surgem no dia a dia da companhia. Essa é uma das conclusões da pesquisa “Gestão de Riscos e RIs – Evolução Contínua para Criar e Preservar Valor nas Relações com Investidores”, realizada pela Deloitte em conjunto com o Ibri (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores).

O levantamento mostra que 45% dos entrevistados destacam o perfil estratégico como o que melhor representa a sua própria área dentro da empresa, à frente de outros três atributos: comunicador (19%), catalisador e operador (com 18% de indicações cada um). Esse percentual de 45% mostra o ganho de relevância do RI, cuja função estratégica era apontada por 29% dos respondentes na pesquisa realizada em 2014. Por outro lado, o percentual de profissionais ouvidos que vê o RI no tradicional papel de comunicador recuou de 46% para 19%, considerando as pesquisas de 2014 e 2016. Além disso, pela primeira vez as atividades de catalisador e estrategista — que, somadas, chegam a 63% — superaram o total das características de comunicador e operador (37%).

De acordo com o estudo, em linha com a atividade de RI, a área de gestão de riscos também tem passado por um processo de evolução ao longo dos últimos anos —tanto por causa das exigências dos órgãos reguladores quanto pelos anseios de investidores e do próprio mercado de capitais por maior transparência.

Diante desse cenário, a visão do RI sobre a gestão de riscos — e a sua avaliação sobre de que forma essa atividade pode impactar o valor do negócio — deve contribuir para a assimilação de ambas as áreas. A pesquisa revelou que praticamente 90% dos entrevistados concordam que boas práticas corporativas de gestão de riscos e controles internos ajudam a atrair e a reter investidores. Além disso, 87% dos pesquisados acreditam na influência positiva dessas boas práticas sobre o preço da ação.

“Em um contexto de maior divulgação de informações financeiras e não financeiras, o RI tem de estar pronto para responder aos questionamentos dos agentes de mercado sobre os riscos inerentes ao negócio. É importante também que a área se engaje em uma conversa de profundidade com investidores e públicos de interesse sobre esse tema”, analisa Bruce Mescher, sócio da área de Auditoria da Deloitte.

“O profissional de RI deve se familiarizar com as novas demandas por informação, e atuar de forma conjunta com as áreas de gestão de riscos e controles internos para promover um ambiente de maior confiança e transparência”, destaca Ricardo Rosanova Garcia, vice-presidente do Ibri.

No entanto, o levantamento apurou que, apesar de os entrevistados enxergarem essa necessidade mais estratégica de envolvimento com temas de risco, o engajamento dos profissionais de RI com as estruturas responsáveis pelo tema ainda é pequeno. Aproximadamente 39% dos entrevistados avaliaram como baixo o nível de engajamento dos profissionais de RI com as estruturas de gestão de riscos e controles de suas organizações.

Gestão de riscos nas empresas

A prática de gestão de riscos tem entrado de forma cada vez mais intensa no cotidiano das organizações e dos RIs. Um exemplo está relacionado à Instrução 552 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), de 2014, que tem por objetivo melhorar a qualidade e a transparência das informações disponibilizadas ao mercado. A norma amplia o escopo dos dados divulgados nos formulários de referência das empresas, inclusive a respeito das práticas de gestão de riscos e das estruturas de controles internos, além de outros assuntos.

“O dinamismo do mundo dos negócios, a complexidade regulatória e as expectativas dos investidores demandam cada vez mais transparência nas práticas de gestão de riscos. Esses são aspectos que impactam a companhia como um todo — estratégia, gestão e operação — e que estão criando desafios para o profissional de RI. Ele passa a atuar como um guardião de valor, importante perante o mercado, e ainda como um ator de crescente relevância nesse cenário”, diz Mescher.

Para os RIs, os novos requisitos vão exigir uma compreensão mais profunda de políticas, sistemas e processos — não só para que possam ser capazes de explicá-los e divulgá-los de forma eficaz, mas para que estejam preparados para responder a perguntas e para se envolver em um diálogo mais intenso com as partes interessadas.

A pesquisa apurou que quase 60% dos entrevistados indicaram ter uma área responsável pela gestão de riscos. Entre essas empresas, cerca de 30% passaram a contar com essa estrutura recentemente, há menos de um ano. Já entre as corporações que não possuem esse segmento internamente, mais da metade tem planos de implementá-lo. Na maior parte dos casos, essa divisão se reporta ao diretor financeiro (32%). Vale lembrar que, dentro do universo pesquisado, grande parte dos líderes de RI são diretores financeiros que acumulam a função. Isso significa uma oportunidade — que certamente ainda pode ser mais bem explorada — de uma maior integração entre as práticas de RI e gestão de riscos, voltada à geração de valor.

Amostra da pesquisa

A pesquisa entrevistou 59 executivos, dos quais 64% ocupam posições de liderança em suas empresas (como presidente, diretor ou superintendente). Todos os respondentes são responsáveis primários pela área de RI. Em relação às empresas, 57% das pesquisadas apresentaram mais de R$ 1 bilhão de faturamento anual em 2015 e 38% possuem mais de 5 mil funcionários. Aproximadamente 48% dessas corporações têm capital brasileiro, 20% estrangeiro e 32% capital misto. O segmento de serviços financeiros foi o que apresentou o maior percentual relativo de representantes, com 14% do total da amostra, seguido pelo de energia, com 10%. As entrevistas ocorreram em abril e maio de 2016. Confira o estudo completo em www.deloitte.com.br e www.ibri.org.br.



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