Dez mulheres que não precisam de um dia das mulheres

07/03/2014

Blog da Redação / Blogs / 7 de março de 2014
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A redação da CAPITAL ABERTO é formada apenas por mulheres (a exceção é o nosso editor de texto e produção, o Bruno Rodrigues). Para nós, é estranho pensar que exista um dia das mulheres. Todo dia é nosso e machismo não tem espaço algum — e acho que ninguém se arriscaria a ser machista por aqui.

Mas, apesar de esta redação ser dominada por mulheres, assim como muitas redações de revista e jornal, ainda há poucas de nós nos conselhos de administração e nas diretorias de empresa, por exemplo. A última pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) sobre o assunto, publicada em 2011, analisou companhias listadas e descobriu que apenas 7,7% das 2.647 vagas de conselho de administração são ocupadas por mulheres. Somente 3,9% das empresas com ações negociadas em bolsa tinham uma presidente do conselho e 2,97% contavam com uma mulher diretora-presidente.

Alguns países se destacam por ter uma quantidade significativa de conselheiras. Na frente está a Noruega, com 40,9% das vagas, seguida por Suécia e a Finlândia (27% cada). Outros têm ainda menos que o Brasil. No Japão, elas são apenas 1,1% dos membros do board (vejam o quadro abaixo).

Não à toa, alguns países preveem cotas para mulheres no board e há um projeto de lei no Senado brasileiro que destina, até 2022, 40% das vagas ao sexo feminino. Esse assunto é muito controverso, e já foi tema da coluna Antítese, na CAPITAL ABERTO. O próprio IBGC, embora considere a diversidade uma boa prática, é contra a imposição de cotas para mulheres.

As três jornalistas da redação concordam com a posição do instituto: somos contrárias à exigência de cotas desse tipo nos CAs. Fiz uma breve sondagem interna e percebi que todas falamos a mesma coisa sobre isso, com palavras ligeiramente diferentes. Para nós, não é o gênero que deve contar na hora de escolher um membro para o conselho, e sim a competência. Ademais, acreditamos que, com o tempo, o número de mulheres com experiência e know-how para atuar em conselhos e diretorias no Brasil aumentará, independentemente de uma imposição legal.

Para apimentar mais a discussão, preparamos uma lista de dez mulheres relevantes nos mercados de capitais brasileiro e internacional. Elas nunca precisaram de cotas para chegar lá.

Janet Yellen. Atual presidente do Federal Reserve (o Fed, banco central dos Estados Unidos), ela ocupa um cargo e tanto, cuja área de influência excede a economia americana. Uma frase dela pode mudar o rumo dos mercados de vários países.

Mary Jo White. Preside a Securities and Exchange Commission (SEC). Antes dela, o regulador americano já foi chefiado por outras mulheres: Elisse Walter, que assumiu interinamente por poucos meses, e Mary Schapiro.

Marissa Mayer. Com apenas 38 anos, é a CEO do Yahoo! Cientista da computação, já foi vice-presidente de serviços geográficos do Google.

Ginni Rometty. Comanda a empresa de informática IBM. Foi manchete recentemente ao declinar seu bônus de 2013, devido à constante queda de faturamento da companhia.

Indra Nooyi. É diretora-presidente da Pepsi Co. desde 2006. Antes disso, ocupou o cargo de diretora financeira (CFO) da empresa por cinco anos. Desde 2001, quando Indra pisou na administração da empresa, o faturamento aumentou 72%.

Maria das Graças Foster. Funcionária de carreira da Petrobras, ela ascendeu ao cargo de CEO de uma das principais companhias do mundo. Seu reinado tem sido difícil: com intervenções do governo e um pré-sal fazendo água, as ações da empresa valem em torno de R$ 13 hoje — bem abaixo do pico de R$ 42 em 2008.

Maria Helena Santana. Hoje, atua como conselheira de empresas como Totvs e CPFL Energia. Foi presidente da CVM entre 2007 e 2012, já ocupou o cargo de superintendente da BM&FBovespa, onde trabalhou pela criação do Novo Mercado e também presidiu o comitê executivo da Iosco, órgão que reúne reguladores de vários países do mundo, entre 2011 e 2012.

Denise Pavarina. Ela é a presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), uma das instituições mais relevantes do mercado de capitais brasileiro. Faz parte também da diretoria do Bradesco e já chefiou a Bram Offshore.

Sandra Guerra. Desde 2012 é presidente do conselho do IBGC, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo. Ela ainda participa de outros conselhos de administração e é sócia da consultoria Better Governance.

Luiza Trajano. A presidente da rede de lojas Magazine Luiza é, provavelmente, a mais famosa entre as brasileiras desta lista. Trabalha na companhia desde os 13 anos de idade e a conduziu a abertura de capital em 2011.

A lista de dez está longe de contemplar todas as líderes no mercado de capitais. Quem se interessa pelo assunto pode dar uma olhada nas listas das 50 mulheres mais influentes do mundo dos negócios, elaborada pela revista Fortune, e das 25 mais poderosas do mercado financeiro, feita pelo site American Banker.


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