Remuneração mais transparente

Nick Robinson



Desde 2010, as empresas abertas brasileiras, no momento em que entregam o formulário de referência para a CVM, precisam preencher o item 13.11, no qual revelam os montantes mínimos, médios e máximos pagos a diretores e conselheiros. A norma, fortemente criticada pelos executivos, foi um avanço no quesito transparência. Os investidores, porém, querem mais.

Para Nick Robinson, diretor da Aberdeen no Brasil, as empresas deveriam dar nomes aos bois — isto é, revelar o quanto cada um dos administradores coloca no bolso. “Como sócio, quero saber quanto e como cada um está ganhando”, diz. Ele considera que, da forma como está, a divulgação pode confundir o investidor — afinal, como ter a certeza de que o salário máximo corresponde ao do presidente da empresa? Se não for, ressalta Robinson, seria ainda mais essencial o investidor ter conhecimento desse fato.

Para os investidores, principalmente os estrangeiros, negar-se a prestar essa informação é uma conduta ruim. A ISS, consultoria de voto estrangeira, adotou uma posição radical: se a empresa não revelar as informações sobre remuneração, no mínimo, conforme requerido pela CVM, sua recomendação é votar pela não aprovação dos salários da administração. A construtora PDG sentiu isso na pele em 2011, quando, na convocação da assembleia, divulgou apenas o montante global da remuneração dos administradores. Os acionistas da companhia, cujo capital é pulverizado, seguiram as recomendações da ISS, e o plano foi rejeitado.


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