Privatizada e falida

Bimestral/Relações com Investidores/Temas/Edição 87 / 1 de novembro de 2010
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Em 11 de novembro de 1991, foi privatizada a Material Ferroviário S.A.(Mafersa), velha cliente do hospital de empresas em que o BNDES se transformara. A negociação ocorreu após algumas tentativas entre 1979 e 1989. A última tinha sido marcada para 12 de outubro de 1989, véspera da eleição presidencial daquele ano. Em 3 de outubro, o então candidato Lula denunciou que a Mafersa seria transferida a mãos privadas por preço inferior ao valor patrimonial, o que fez da venda da empresa um tema negativo da campanha eleitoral.

A dois dias daquele leilão, o líder metalúrgico Luiz Antônio Medeiros, em audiência com o presidente Sarney, pediu que fosse suspensa a venda, pois “a sociedade levantava dúvidas sobre a questão do preço”. Imediatamente, Sarney despachou ordens para o BNDES e ministros competentes, determinando a sustação do leilão.

Já na era Collor, em agosto de 1990, a empresa foi incluída na leva inicial do Programa Nacional de Desestatização (PND). E novo leilão foi marcado para 11 de novembro de 1991. Não houve as habituais badernas na Praça XV — os objetivos do sindicalismo se voltavam apenas para companhias maiores. A polícia tinha sido informada que não ocorreriam episódios violentos.

Dois licitantes participaram: o consórcio formado pelo grupo Iochpe e pela empreiteira C. R. Almeida, e a Refer — Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social. O mercado previa ágio moderado, ao redor de 15% sobre o preço mínimo de Cr$ 54,95. Após 43 minutos, a Refer adquiriu a Cr$ 143,50 por ação 90% do capital acionário da Mafersa. O sobrepreço foi de 161%.

Ninguém previu o desastre financeiro em que a Mafersa se transformaria. Quatro anos após a compra, a Refer decidiu se retirar do negócio, em meio a 15 pedidos de falência ajuizados. Em agosto de 1995, vendeu, na Bovespa, 65% do capital da companhia à Associação de Condôminos Investidores na Mafersa (Acim), clube de investimentos que já detinha o correspondente aos 10% das ações que haviam sido vendidas aos funcionários na privatização. O valor da negociação dos 65% foi de simbólicos R$1.000,00, passando a Acim a deter 75% do capital da Mafersa. A Refer seguiu com os outros 25% da empresa. A companhia privatizada pelo valor de face de US$ 48,4 milhões simplesmente desapareceu.

O que fascina no episódio é que o sumiço da empresa jamais teve repercussões. Ninguém se pronunciou a respeito da morte do negócio. É ainda mais intrigante o fato de ter sido a única companhia privatizada adquirida, integralmente, por um fundo de pensão estatal.


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