Lista de fechamentos de capital tende a aumentar

Captação de recursos / Temas / Edição 109 / 1 de setembro de 2012
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Somente neste ano, 22 companhias concluíram o cancelamento de seus registros na BM&FBovespa. São empresas que passaram por reestruturações societárias (caso das telefônicas do Grupo Oi), se fundiram (como a TAM, que se juntou à chilena Lan) ou tinham baixíssima liquidez. Nos próximos meses, outras farão o mesmo. Além de Redecard, Net e Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI), que já estão em processo para retirar suas ações de circulação, Laep e LLX Logística anunciaram, no mês passado, que deixarão o mercado. E a perspectiva de alguns profissionais é de que esse grupo aumente ainda mais.

“Fui consultado por duas companhias que cogitam seguir esse caminho”, confirma um advogado que preferiu não se identificar. As candidatas ainda não oficializaram o projeto, mas a razão que as leva a planejar o fechamento de capital é o valor das ações, considerado fortemente depreciado. De fato, o conjunto de companhias com valor de mercado abaixo do patrimonial é extenso. Um levantamento elaborado pela Economatica aponta que dentre as empresas cujas ações foram negociadas em pelo menos metade dos pregões deste ano 73 estão nessa situação. Dessas, 33 realizaram uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a partir de 2004.

No topo da lista está a Laep. No dia 3 de agosto, a companhia divulgou fato relevante anunciando o fim do seu programa de BDRs e a realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) para compra de todos os recibos em circulação. A empresa se disse disposta a pagar R$ 0,51 por BDR. O valor embute um prêmio de 10% sobre o preço médio das cinco semanas que antecederam o anúncio, mas ainda assim está longe do que valem seus ativos. De acordo com a Economatica, as ações da Laep somam atualmente R$ 19,5 milhões na BM&FBovespa — o que corresponde a apenas 6,9% do valor patrimonial, de R$ 282,1 milhões.

Atualmente, o valor de mercado da LLX equivale a 250% do valor patrimonial. No entanto, os R$ 3,13 reais por ação que o controlador está disposto a pagar na OPA de cancelamento, apesar de embutirem um prêmio de 25% em relação à média ponderada dos 20 pregões que antecederam o anúncio, seguem abaixo do preço de estreia. Quando o segmento de logística da MPX foi cindido, originando a LLX, as ações eram negociadas a R$ 4,90 cada uma.



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Tags:  bmfbovespa TAM Grupo Oi Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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