Quesitos de menos

Meio empresarial não tem o mesmo rigor de avaliação dos jurados carnavalescos

Governança Corporativa/Governança/Edição 126 / 1 de fevereiro de 2014
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Em breve terá início a temporada de assembleias das companhias abertas brasileiras. Como de hábito, uma das principais deliberações será a escolha dos conselheiros de administração. Um aspecto-chave para essa decisão, entretanto, continuará ausente: a análise formal da atuação de cada membro do board ao longo do exercício. Afinal, como estabelecer um ambiente meritocrático sem verificação adequada das pessoas que compõem a cúpula empresarial?

Esse é um pilar da boa governança que poucas empresas aplicam. De acordo com o Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas, publicado em 2013 pela capital aberto, apenas um quarto das cem companhias com maior liquidez na bolsa afirma realizar algum tipo de avaliação. Possivelmente uma proporção superestimada, haja vista que certas empresas confundem a análise do conselho como órgão colegiado com aferições individuais. Quanto mais alto o cargo ocupado, menor a probabilidade de a pessoa ter o seu desempenho apreciado de forma imparcial e rigorosa — um verdadeiro contrassenso de nosso ambiente empresarial.

Na tabela, apresento um extrato de questões a observar nesse exame, divididas em quatro dimensões de análise. Os conselheiros podem se autoavaliar, expressando de forma numérica seu grau de concordância a respeito de cada questão. Na sequência, examinarão, um a um, os demais colegas do órgão, com base nos mesmos parâmetros.

Os resultados podem ser analisados de duas formas. Uma opção é comparar a nota média do conselheiro em cada dimensão — obtida a partir dos conceitos atribuídos por seus pares — com a pontuação média dos demais colegas. Isso permite a ele visualizar as áreas em que se sobressai e aquelas em que apresenta deficiência. A outra opção é confrontar a autoavaliação do conselheiro com o parecer dos seus pares sobre ele. Assim, vêm à tona as áreas em que sua opinião sobre si mesmo converge ou diverge de forma mais pronunciada da visão alheia.

Além de fomentar a meritocracia na organização e permitir aos acionistas tomar decisões melhores acerca da composição do conselho, o sistema formal de avaliação proporciona diversos benefícios aos próprios conselheiros, como o aprimoramento contínuo de sua atuação profissional.


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Tags:  CAPITAL ABERTO mercado de capitais conselheiro de administração meritocracia Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas Carnaval autoavaliação Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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