A comunicação entre acionistas e o conselho de administração

Há uma discussão muito interessante sobre como deveria ser o relacionamento entre membros do conselho de administração e acionistas, principalmente os investidores institucionais. Em 17 de novembro último, ocorreu um painel denominado “O acionista do futuro” no 16º Congresso do Instituto Brasileiro …

Governança Corporativa / Seletas / Edição 8 / Colunistas / 18 de novembro de 2015
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Geraldo Soares*/ Ilustração: Julia Padula

Há uma discussão muito interessante sobre como deveria ser o relacionamento entre membros do conselho de administração e acionistas, principalmente os investidores institucionais. Em 17 de novembro último, ocorreu um painel denominado “O acionista do futuro” no 16º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Tive a honra de moderar esse painel, que teve como palestrantes Mario Fleck, presidente da Rio Bravo Investimentos, e Stan Magidson, presidente do Institute of Corporate Directors do Canadá.

A prática de membros do conselho de administração das empresas atenderem acionistas é global e usual, conforme demonstra a pesquisa realizada entre fevereiro e abril de 2015 pelo BNY Mellon com 550 empresas respondentes de 54 países, sendo 48 companhias brasileiras. A pesquisa é ampla e abarca diversos assuntos. Destaco a seguir algumas questões que considero relevantes nessa discussão.

Na pesquisa foi questionado se “algum membro do conselho de administração reuniu-se com investidores nos últimos 12 meses”. Das 550 empresas, 49% responderam que sim. Separadas as brasileiras, o índice subiu para 57%.

Dentre os principais motivos pelos quais os membros do conselho de administração encontrarem-se com investidores, 54% citaram “prática padrão da empresa”. Entre os principais motivos para não se reunirem está a falta de solicitação: argumento usado por 41% da amostra global e 33% dos brasileiros. Chama a atenção que os membros do conselho no Brasil prefiram não atender ao mercado investidor (14%), enquanto que para as companhias no mundo esse percentual é de 7%.

Na tabela abaixo, apresenta-se quem eram os profissionais presentes quando um membro do conselho de administração reuniu-se com investidores nos últimos 12 meses, merecendo destaque o diretor de Relações com Investidores (DRI).

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Finalmente, e tão importante quanto, apresenta-se na tabela abaixo os principais tópicos de discussão quando membros do conselho de administração se encontraram com investidores.

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Chama a atenção nessa tabela que questões ambientais, sociais e de governança corporativa representem somente 4%. Se compararmos às empresas no mundo, com 25%, a discrepância é significativa. Algo a se pensar!

Nas discussões do painel, bem como na Comissão de Comunicação do IBGC, podemos destacar alguns benefícios potenciais na comunicação de membros do conselho de administração com acionistas, a saber:
• A oportunidade de interação entre os acionistas e a mais alta administração da companhia;
• a possibilidade de conhecimento, pelos acionistas, da estratégia, dos negócios e da administração da companhia;
• o estabelecimento e o fortalecimento de uma relação de longo prazo com os acionistas, pautada na confiança e na transparência;
• a utilização, pelo conselho de administração, de canal direto para (i) obter informações sobre demandas em relação à companhia e sua estratégia e (ii) conhecer a percepção dos acionistas em relação à companhia e a sua administração.

Nesse contexto, o conselho de administração (CA) pode criar mecanismos de comunicação direta com os acionistas, tais como:
• Comunicação tempestiva e eficiente entre o CA e a área de Relações com Investidores;
• que os membros do CA (além da diretoria executiva) estejam presentes nas assembleias gerais;
• seja incentivada a participação dos acionistas nas assembleias gerais, que é o principal fórum de comunicação entre acionistas e os membros do CA;
• sejam criados mecanismos de comunicação e relacionamento constantes entre o CA e os acionistas;
• a presença de membros do CA em reuniões públicas de grande abrangência, ou em reuniões especialmente agendadas pela companhia para comunicação com o mercado, que devem ter periodicidade no mínimo anual (os membros devem estar devidamente preparados para essas participações e absolutamente alinhados com a comunicação institucional da companhia);
• canal de comunicação no website da companhia, administrado e monitorado pela secretaria de Governança Corporativa (ligada ao conselho), ou equivalente.

Essa discussão é importante e necessária, pois, como vimos, é uma realidade que membros do conselho de administração se reúnam com regularidade com o mercado investidor. Creio que o mercado, via IBGC, possa contribuir muito com essa discussão, construindo melhores práticas e auxiliando os profissionais a conhecer os limiares desse relacionamento e qual a função de cada um.




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