Ensinando a crescer

Sem concorrentes na Bolsa, Abril Educação se posiciona como consolidadora

Bimestral / Governança Corporativa / Temas / Edição 104 / 1 de Abril de 2012
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O senso comum prega que investir em educação leva ao sucesso, individual ou coletivo. E poucos sabem disso mais do que o Grupo Abril, controlador da maior editora de revistas da América Latina e berço de uma empresa educacional que vem cativando os investidores. Criada em 2009, a Abril Educação foi a última companhia a aproveitar a janela de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) de 2011, no fim de julho. Para tanto, aceitou sair cotada a R$ 20, cerca de 8% abaixo da mínima estimada pelos coordenadores da oferta. Nas semanas seguintes, a crise na Europa recrudesceu, e até a nota da dívida norte–americana foi rebaixada, num começo desanimador que fez a cotação rondar os R$ 13, em agosto. Sete meses e três aquisições estratégicas depois, a máxima de que educação é um bom investimento começa a se confirmar.

Em 26 de março, a Abril Educação viu a cotação de suas units chegar a R$ 26,95, uma valorização de 34,75% desde a abertura de capital. A confiança do investidor vem sendo conquistada com a entrega do que foi prometido na oferta e com o esforço para divulgar a estratégia da empresa. No prospecto, a Abril Educação se comprometeu a investir 67% dos recursos do IPO em aquisições. Desde então, comprou participações em três negócios diversos que consumiram apenas R$ 36 milhões.

A aquisição mais recente foi feita em fevereiro. Por R$ 6 milhões, a Abril Educação comprou 10% da Escola Satélite, o que facilitará à companhia oferecer cursos de idioma, de preparação de professores e para provas como o Enem às escolas brasileiras equipadas com uma antena capaz de receber as transmissões do satélite Star One. Segundo a Abril Educação, essa é uma característica comum de colégios públicos do País. Outros R$ 43 milhões foram destinados, em outubro de 2011, à aquisição do Sistema Maxi de Ensino, que se juntou aos outros três produtos similares do portfólio da companhia (Anglo, Ser e pH), atendendo a cerca de 460 mil estudantes. No mês da estreia na Bolsa, a companhia havia anunciado a compra de uma fatia do Livemocha, site norte–americano que ostenta o título de maior comunidade online de ensino da língua inglesa no mundo. Só no Brasil, são mais de 2,2 milhões de alunos.

Compras de sistemas de ensino, de cursos online de idiomas e de empresas de transmissão via satélite mostram que a companhia tem se preparado para o futuro da educação, mais inclusivo e sem barreiras geográficas. Mas o tradicional mercado editorial, o berço do Grupo Abril, continua sendo estratégico para a empresa listada. “Embora com pouca perspectiva de crescimento, a geração de caixa garantida pelos livros didáticos pesou muito na decisão de entrar na companhia”, afirma Frederico Castro, analista da gestora de recursos Perfin. As editoras Ática e Scipione garantiram à Abril Educação o recorde histórico de 50,4 milhões de livros didáticos vendidos ao Ministério da Educação (MEC), em 2012. Divulgado com as informações do terceiro trimestre de 2011, o contrato com o governo garante um faturamento de R$ 298 milhões. Àquela época, a projeção era de que 90% do valor seria recebido até o fim de 2011.

Castro analisa que, com o fechamento de capital da SEB — dona do sistema COC — em 2011, o pregão havia ficado órfão de opções de investimento em educação fundamental. Isso porque, embora haja outras companhias educacionais negociadas na Bolsa, o modelo de negócio da Abril Educação não se parece com o de empresas como a Anhanguera, focada no ensino superior. O risco e a demanda de capital são consideravelmente menores. Em comparação com uma controladora de universidades, é preciso menos investimento para crescer, o universo de estudantes é bem maior, e os gastos com manutenção do patrimônio são quase ínfimos (a Abril Educação tem apenas 16 escolas e cerca de 30 milhões de alunos atendidos pelos sistemas de ensino e livros didáticos).

Explicar essas diferenças demandou tempo. “A comunicação com o mercado foi um pouco tímida no começo”, lembra Castro. A empresa teve de aprender a divulgar suas qualidades. Manoel Amorim, presidente da Abril Educação, acredita que, apesar de a cotação das units ter se recuperado, há espaço para uma valorização ainda maior. Nem todo o mercado entendeu o modelo de negócio da companhia. Falta parâmetro para explicá–lo. Até porque não há no mundo empresa igual ao que a Abril Educação pretende ser nos próximos meses. A Abril Educação de hoje está em plena temporada de compras. O presidente calcula que mais R$ 200 milhões serão investidos em aquisições, o que colocará a companhia como consolidadora de cinco dos seis setores em que atua. A empresa está satisfeita com as suas duas editoras, mas possui alvos nos segmentos de sistemas de ensino, cursos preparatórios, ensino a distância, de idiomas e técnico. Situação que vem desde antes do IPO, em 2011, quando o fundo de private equity BR Educacional investiu R$ 230 milhões para levar 24,7% da empresa. “Foi fundamental a entrada desse sócio para que chegássemos bem ao IPO”, pontua Amorim, presidente de uma companhia que, apesar de novata, tem muito a ensinar.



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