Prenúncios de uma bolha

Há 43 anos, duas notícias de jornal apontavam os primeiros sintomas da bolha especulativa nas bolsas brasileiras

Captação de recursos/Histórias/Edição 137 / 1 de janeiro de 2015
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prenunciosOs primeiros dias de janeiro já davam o tom dos acontecimentos que sucederiam em 1971. A imprensa regurgitava de notícias sobre a bolsa de valores. Logo na quarta-feira, dia 6, O Globo ostentava uma chamada na primeira página. O título da matéria indicava o fenômeno (“Bolsa do Rio no nível das grandes”), e o texto era eloquente:

“A Bolsa de Valores do Rio chegou ontem ao nível das maiores do mundo ao registrar, em suas operações, o volume excepcional de 15.190.082 ações negociadas, num total de cerca de 53 milhões de cruzeiros — mais de 10 milhões de dólares. É esta a primeira vez na história das bolsas do continente que tais valores são assinalados em transações à vista. Ao mesmo tempo o índice BV marcou também excepcional alta, fixando-se em 1.910,9, com elevação de 89,2 pontos. Nas operações esse índice apresentou acréscimo de 96,7 pontos com 10.411.840 títulos negociados, no valor de mais de 32 milhões de cruzeiros. (Mais notícias na página 12.)”.

Na página citada estava a relação das ações negociadas, com máxima, mínima, média e quantidade, além de comentário extenso sobre o recorde também em São Paulo, que, naquele dia, negociara 29 milhões de cruzeiros — inferior ao movimento carioca. O Rio de Janeiro ainda ostentava a maior bolsa do País. No pregão, notou-se uma corrida aos papéis siderúrgicos, atribuída ao pronunciamento em que o presidente Médici incentivaria a siderurgia nacional. Era mais um capítulo da construção do Brasil Grande e um novo acréscimo ao otimismo reinante. O plano governamental, lançado no dia seguinte em Volta Redonda, pretendia que a produção brasileira atingisse 20 milhões de toneladas em 1980. As siderúrgicas Acesita, CBUM, Ferro Brasileiro, Belgo-Mineira e CSN foram destaques, todas alcançando os limites de alta.

Na mesma data, o prestigiado Zózimo Barroso do Amaral, em sua coluna no Caderno B do Jornal do Brasil, pontificava sob o título “Banco do Brasil vai a Cr$ 60,00”: “Ouvido numa roda de conversa de um expert em mercado de capitais: Se, como se espera, o Banco do Brasil triplicar seu capital social na assembleia de abril, suas ações seguramente chegarão em maio ou junho a beirar os Cr$ 60,00.”

Naquela data as ações eram negociadas entre 28 e 28,60 cruzeiros. Mas o que o periodista não revelava na nota era seu grande interesse na alta de Banco do Brasil. Pouco antes, seu avô paterno, também chamado Zózimo, deixara como herança a seu pai e a seus tios uma fortuna em ações da companhia, da qual tinha sido um dos maiores acionistas individuais. Na época, contudo, não havia CVM; tais deslizes eram considerados naturais e não davam ensejo a maiores repercussões.

As duas matérias eram apenas o prenúncio da bolha especulativa que se desenvolveria nos pregões no primeiro semestre de 1971.

Montagem com fotos extraídas da Wikipédia e do site Álbum Jotabeniano


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Tags:  Banco do Brasil CAPITAL ABERTO mercado de capitais bolha especulativa 1971 O Globo papéis siderúrgicos volume de negociações Zózimo Barroso do Amaral Jornal do Brasil Caderno B Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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