Mais previsibilidade para o investidor

Ricardo Florence

Captação de recursos / Relevo / Edição 133 / 1 de setembro de 2014
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RelevoHá um ano e meio, a produtora de alimentos Marfrig iniciou um processo de reestruturação que agora começa a dar frutos. Ainda não dá para dizer que a casa esteja totalmente em ordem — a empresa registra prejuízo e suas ações valem menos que no IPO —, mas muita coisa melhorou. Tanto que, em 2014, até 21 de agosto, seu papel sinalizou o bom humor dos investidores: subiu 64,75%. Foi a terceira maior alta na bolsa entre as companhias com volume médio diário de negociação acima de R$ 1 milhão. Na entrevista a seguir, o CFO da companhia, Ricardo Florence, fala sobre o momento atual da Marfrig.

Reestruturação
“Desde o início de 2013, a Marfrig vem executando um plano de reestruturação, com o objetivo de melhorar o balanço e voltar a ter uma estrutura mais simples. Acima de tudo, pretendemos dar previsibilidade ao investidor sobre o que esperar da companhia. O mercado gosta das empresas que praticam o seu discurso. Por isso, no balanço de cada trimestre passamos a incluir as seguintes informações: o que a companhia disse que faria, o que foi feito e o que entregou. Também passamos a fazer projeções de alguns indicadores financeiros. É um risco que assumimos. Para engajar os executivos a cumprir as metas, alinhamos a compensação variável deles com o guidance.”

Endividamento
“A relação entre dívida líquida e Ebitda da Marfrig é hoje de 3,7 vezes. Almejamos chegar a menos de 3. Porém, mais importante do que esse indicador, é quanto você paga de juros pela dívida. Em outubro de 2013, nós emitimos
‘senior notes’ no exterior pagando juros de 11,25% ao ano. Após isso, fizemos uma sequência de emissões cada vez mais baratas. Na de maio, captamos £ 200 milhões com uma taxa de 6,25%. Em oito meses, portanto, o custo da dívida diminuiu em 5 pontos percentuais para ofertas com quase o mesmo prazo.”

IPOs no exterior
“A queda drástica da taxa de juros nas emissões de senior notes mostra a confiança do investidor estrangeiro no futuro da Marfrig. O mercado de dívida internacional percebeu, inclusive antes do de ações, a mudança no perfil da empresa. Dado o cenário internacional favorável, a Marfrig vem estudando abrir o capital de suas subsidiárias no exterior [Moy Park e Keystone]. Queremos ter a opção de essas unidades receberem, em algum momento, uma injeção de equity, embora não precisem atualmente.”

Diferente da concorrência
“A Marfrig previu para este ano um capex de R$ 600 milhões. O valor, obviamente, não contempla aquisições. Uma lição que aprendemos é: para ser saudável, uma empresa precisa ter estrutura coesa, ordenada, e um fluxo de caixa equilibrado. É nesse estágio que estamos. A Marfrig tem um posicionamento global muito forte, e isso continuará mesmo sem aquisições.”

Confiança no setor
“Em meio ao mau humor com o Brasil e às incertezas eleitorais, atuamos num setor cuja confiança não foi abalada.
O agronegócio é um dos principais pilares da balança comercial. O segmento de proteína animal, por sua vez, é um grande alavancador do PIB. Em 2013, sua fatia na atividade econômica foi de 7,1%. E este ano não deve ser diferente, apesar do crescimento projetado para o País entre 0,6% e 0,8%. Nesse cenário, a questão mais sensível talvez seja o câmbio. Uma desvalorização seria favorável ao setor.”

Brasil é o mais difícil
“O mercado interno apresenta mais desafios para a companhia que o internacional [Estados Unidos, Europa e Ásia]. Na Europa, atuamos por meio da Moy Park, com sede na Irlanda do Norte. O frango é uma proteína básica [a Moy Park é produtora de carne de aves], e na Inglaterra detemos 27% desse mercado. Vemos grandes chances de avançar por lá nos segmentos de ‘food service’ [mercado de alimentação fora do lar] e processados.”

Foto: divulgação


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