Doce perspectiva (São Martinho)

Sucroalcooleira mantém dívida baixa e explora as possibilidades de sua matéria-prima

Captação de recursos / Alta & Baixa / Edição 132 / 1 de agosto de 2014
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A ação da São Martinho subiu 36,8% no ano até o dia 21 de julho. A alta, significativa por si só, ganha contornos impressionantes quando se leva em consideração o ramo da empresa: o sucroalcooleiro. Há dois meses, em seminário promovido pela BM&FBovespa, a secretária estadual de Agricultura Mônika Bergamaschi disse que o setor “está moendo usinas, e não cana”. As últimas cinco safras foram desastrosas e azedaram o segmento: 44 usinas quebraram, 33 estão em recuperação judicial e outras 10 já anunciaram que não vão moer cana-de-açúcar neste ano.

O clima atrapalhou, porém há outros fatores negativos. Nos últimos anos, preocupado com a inflação, o governo federal tem segurado os preços da gasolina, provocando perdas não apenas para a Petrobras como também para a indústria de etanol. Se, em 2009, 66% dos brasileiros detentores de carros flex usavam o combustível da cana, no ano passado essa taxa caiu para 23%.

Por isso, Sandra Perez, analista da Coinvalores, pondera que parte da valorização da São Martinho tem forte componente especulativo. Conforme as pesquisas eleitorais preveem ocorrência de segundo turno, especula-se cada vez mais a possibilidade de o próximo governo mudar a política tarifária de combustíveis.

Mas o que realmente vem impulsionando as cotações da São Martinho é a gestão. Num setor cujo endividamento cresceu 19 vezes nos últimos dez anos, a companhia é uma das menos encalacradas. O índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em 2,03 vezes em março deste ano, abaixo do registrado no mesmo mês de 2013 (2,20 vezes). Ter saúde financeira é uma vantagem competitiva óbvia num setor em consolidação. A São Martinho acaba de comprar a Usina Santa Cruz, em negócio que custou R$ 316 milhões e deve gerar sinergia anual de R$ 40 milhões.

A empresa também tem aproveitado as oportunidades que aparecem. Uma delas é a cogeração de eletricidade. Seu custo operacional é insignificante, dado que o bagaço da cana é um resíduo produtivo, e os contratos de venda são reajustados anualmente pela inflação. As receitas de cogeração cresceram 74% na safra 2013-2014; para a colheita seguinte, espera-se um incremento de 49%.

Além disso, a São Martinho mudou de estratégia: passará a produzir mais açúcar do que etanol. Se na safra 2013-2014 esses itens corresponderam a, respectivamente, 48% e 52% da produção, agora serão de 53% e 47%. Uma mudança que Giovana Araújo e Antonio Barreto, analistas do Itaú BBA, qualificam como promissora. Devido ao efeito El Niño e às quebras de safra do Brasil e da Índia, a expectativa é de aumento dos preços do açúcar no mercado internacional ao longo do segundo semestre.

A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.


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