Campeãs em boas práticas

Duas das três melhores notas de governança são de novatas no ranking

Captação de recursos/Especial/Reportagens/As Melhores Companhias para os Acionistas 2010/Temas / 1 de setembro de 2010
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A BM&FBovespa e a SulAmérica estrearam no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas “sobrando” em boas práticas de governança corporativa. Enquanto a Bolsa conquistou a maior pontuação (9,19) no questionário sobre o tema (veja as questões na página seguinte), a seguradora alcançou a terceira maior marca (8,34). Ano passado, nenhuma das duas fez parte da amostra, composta das 100 companhias mais líquidas no pregão ao longo de 12 meses. A EDP Energias do Brasil também se saiu bem. Nesta edição do ranking, atingiu a segunda maior pontuação absoluta de governança: 8,59 pontos. Em 2009, havia emplacado 7,47 pontos.

A BM&FBovespa se sobressaiu em um quesito em que poucas empresas pontuaram. Ela divulga uma política formal e detalhada sobre transações com partes relacionadas, com o objetivo de evitar conflitos de interesses. De acordo com Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, é importante que essa política seja clara, transparente e amplamente divulgada. “Tenho esperança que outras companhias trilhem nosso caminho e deem o disclosure necessário sobre o assunto.”

A Bolsa só não garantiu a pontuação máxima por ter sofrido descontos em alguns itens. Questionado sobre o fato de a Bolsa não ter uma política de dividendos, Edemir explica que, na prática, ela tem distribuído entre 55% e 60% de seu lucro líquido, mas não há como garantir que esse percentual se manterá nos próximos anos. Por isso a empresa prefere não definir uma política e seguir o que determina a Lei das S.As. — a distribuição de 25% do lucro líquido. “A política de dividendos é importantíssima para as companhias com mais tempo de vida e condições de informar esse dado”, ressalta. “Temos um volume muito grande de investimentos para fazer e que podem impactar a distribuição de proventos.” A Bolsa possui um orçamento aprovado de R$ 500 milhões para investir entre 2010 e 2011, segundo Edemir.

O fato de não ter um comitê de auditoria formado apenas por conselheiros e com, pelo menos, um independente também fez com que a Bolsa perdesse pontos. Nessa questão, Edemir pondera que o mais importante não é que todos os membros sejam conselheiros, mas que tenham conhecimentos técnicos para cumprir bem suas funções. Conselheiros possuem um olhar mais macro, por isso um comitê técnico é mais adequado”, destaca. A mesma opinião tem o vice-presidente de relações com investidores (RI) da SulAmérica, Arthur Farme d’Amoed Neto. “Com membros especialistas participando do comitê, os assuntos podem ser mais bem discutidos e resolvidos.”

O maior entendimento dos investidores sobre o setor de seguros e a preocupação contínua da companhia em aprimorar suas práticas de governança, segundo Farme d’Amoed Neto, ajudaram a SulAmérica a aumentar a atratividade dos seus papéis na Bolsa. No primeiro semestre de 2010, o volume médio diário de negociação dos papéis da SulAmérica no pregão era de R$ 8,7 milhões, contra R$ 2,8 milhões no mesmo período de 2009.

A seguradora, listada no Nível 2 da BM&FBovespa, se orgulha, por exemplo, de conceder 100% de tag along aos detentores de ações preferenciais (enquanto o exigido pela Lei das S.As. é 80%) e de facilitar a participação de seus acionistas em assembleia, isso muito antes de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) promulgar, no fim de 2009, a Instrução 481, que amplia as informações que as empresas devem prestar nessas reuniões. Na assembleia-geral ordinária (AGO) do ano passado, a SulAmérica já adotava um manual de assembleia, disponibilizando com antecedência documentos e informações relacionados às matérias discutidas nesse evento.

Outro destaque em governança, a EDP Energias do Brasil implementou algumas práticas para aumentar sua transparência. Passou a divulgar o nome dos analistas que cobrem a companhia no seu website e a publicar o calendário de eventos para os próximos meses. Esses foram itens em que a empresa havia perdido pontos no ranking de 2009.


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Tags:  Governança bmfbovespa SulAmérica As Melhores Companhias para os Acionistas Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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