Abusos e (tentativas de) soluções

Editorial/Temas/Edição 109 / 1 de setembro de 2012
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Impossível o leitor não notar a presença de assuntos policiais nesta edição da CAPITAL ABERTO. Do ponto de vista editorial, essa convergência curiosa não passa de um mero acaso, mas, analisada de uma perspectiva ampla, pode traduzir bem mais do que coincidências. Não seria exagerado concluir que alguns agentes do mercado estão constantemente à caça de fórmulas que se aproveitam de instrumentos disponíveis na regulamentação para atingir fins impróprios.

Os FIDCs são um exemplo dessa distorção. Concebidos para financiar empresas, transformando recebíveis inertes em caixa providencial, esses fundos acabaram convertidos em instrumentos de fraude, como mostra a reportagem na página 10. Em matéria sobre a misteriosa bolha das ações da fabricante de bens de consumo Mundial, alinhavamos os elementos que inflaram a espantosa alta dos papéis e concluímos: pode ter havido ou não crime – hipótese que a Polícia Federal deve desvendar –, mas é certo que a agilidade das mídias sociais e dos robôs executores de ordens por meio de algoritmos contribuiu para a incontrolável euforia de preços.

Enquanto o mercado abusa das tecnologias e da criatividade com intenções nada louváveis, Brasília tenta fazer a sua parte. Algumas iniciativas são promissoras; outras, surpreendentemente inadequadas. No último grupo se insere o projeto de lei que tramita no Senado para reformar o Código Penal. O texto, felizmente pouco inclinado a prosperar, descriminaliza a manipulação de ações e reduz as possibilidades de punição às negociações com informação privilegiada.

Mas essa é uma edição comemorativa do aniversário de nove anos da CAPITAL ABERTO e, por essa razão, não podemos deixar de sacudir a poeira e contribuir para a busca de soluções. Na matéria de capa, entrevistamos especialistas sobre ideias implementadas em outros mercados de capitais que deveriam nos inspirar. E, na página 34, estreamos a seção Círculo de Debates, cuja missão é aprofundar a discussão e contrapor visões acerca de temas relevantes. O primeiro encontro trata dos desafios do CAF, o comitê idealizado para introduzir práticas societárias mais justas e adequadas ao contexto atual.




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