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29/11/2013

Sem categoria / 27 de novembro de 2013
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O poderoso secretário de Comércio Internacional da Argentina, Guillermo Moreno, foi constrangido pela presidente Cristina Kirschner a renunciar. Não deixa saudades!

Conhecido e pouco apreciado pelos exportadores brasileiros, devido às medidas protecionistas e aos métodos poucos ortodoxos de controlar a balança comercial da Argentina, acabou não resistindo aos resultados totalmente insatisfatórios da sua política. Basicamente, queria proteger o mercado local permitindo que as importações somente ocorressem se os compradores argentinos vendessem o equivalente ao que estavam comprando em dólares. Obviamente a política não funcionou, e até que demorou para que a presidente se desse conta de que estava na hora de substituí-lo. A sua interferência nos índices de preços também foi maléfica.

Assumiu uma nova função mais em linha com o que estava efetivamente fazendo Axel Kicillof na pasta da Economia. Ele já era visto como mentor da política econômica e pessoa muito próxima da família Kirchner. Keynesiano convicto, é ardente defensor da política intervencionista do Estado e despreocupado com o déficit público.

A situação argentina não é confortável, com inflação não oficial na casa dos 25%, perda de reservas cambiais, crescimento em queda e desgaste político da presidente, que teve a possibilidade de sua reeleição reduzida, por perda de apoio no Congresso. A partir de 10 de dezembro, quando assumirão os novos senadores e deputados com expressiva renovação, Cristina não terá a posição confortável que desfrutava anteriormente.

Portanto, as eleições presidenciais de 2015 serão bem mais disputadas. Surgirão novas opções no Partido Justicialista (peronista), em que o líder da Frente Renovadora, Sergio Massa, aparece como potencialmente candidato à eleição.

Repito que a nossa relação com a Argentina não é uma opção! Estamos umbilicalmente ligados e, portanto, temos que acompanhar de perto tudo o que por lá acontece.

Malgrado o protecionismo ostensivo do ex-secretário, o Brasil deve terminar 2013 com um saldo melhor do que no ano passado, fortemente influenciado pela exportação de veículos. Estima-se um superávit comercial nas transações globais com a Argentina entre US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão, de grande importância para as nossas contas externas.

Nos últimos dias, o governo vem tentando, com grande dificuldade, persuadir os nossos vizinhos a não frustrar as negociações com a União Europeia para celebrar um acordo extremamente relevante com o Mercosul. As propostas apresentadas foram incompletas, pois deixaram de fora três vetores importantes: serviços, investimentos e compras governamentais. Empresários argentinos estão empenhados em ajudar nas negociações. Oxalá nossos vizinhos possam mostrar maior flexibilidade e interesse em viabilizar esse acordo. Com a possibilidade bastante realista de que a tentativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) de reduzir as barreiras comerciais entre países na sua próxima reunião, em Bali de 3 a 6 de junho, esteja condenada ao fracasso, os caminhos a perseguir serão os acordos regionais ou bilaterais.




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Tags:  CAPITAL ABERTO mercado de capitais União Européia Argentina eleições Axel Kicillof Critina Kirchner Guillermo Moreno Mercosul OMC superávit comercial Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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