Pílula de sabedoria

Profarma usa fórmula europeia de misturar distribuição com varejo e agrada o mercado

Governança Corporativa/Edição 117 / 1 de Maio de 2013
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Treze dias. Foi o tempo que a Profarma levou para se tornar a décima maior rede de farmácias do País e a segunda maior do Rio de Janeiro. São 142 lojas, muitas delas em shopping centers — consideradas as mais rentáveis do setor. No dia 18 de janeiro deste ano, a Profarma comprou a CSB, companhia que detém as bandeiras Drogasmil e Farmalife. Depois, no dia 31, adquiriu a rede Tamoios. A empresa, que atuava no atacado de medicamentos e produtos de higiene e limpeza, colocou o pé no varejo. E o mercado financeiro gostou.

“As recentes aquisições mostram que a companhia está atenta ao novo cenário, com maiores margens e crescimento no varejo do que na distribuição”, afirmam os analistas do banco Fator Daniel Utsch, Pedro Zabeu e Taís Novaes. No processo em curso de consolidação do setor, as grandes redes de varejo estabeleceram um relacionamento direto com os laboratórios, reduzindo as margens e o espaço de atuação do atacado. Segundo André Parize, analista-chefe da Corretora Votorantim, no varejo a Profarma passa a ter um múltiplo EV/Ebitda (índice obtido pela divisão do valor da empresa pelo seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 15 vezes — ante 6 vezes no atacado — e o ciclo de caixa cai para cerca de 20 dias.

Mas a Profarma não deve se limitar ao varejo; ela quer ser uma companhia mista. A ideia é testar no Brasil uma fórmula usada na Europa por distribuidoras como a Celesio e a Alliance Boots, que chegam a ter 40% de suas vendas no varejo. O desafio é mostrar capacidade para integrar atacado e varejo, como já definiram os analistas Thomas Humpert e Mauricio Fernandes, do Bank of America Merrill Lynch.

Crescer diversificando está na bula da empresa. Aos 51 anos, a Profarma expandiu-se geograficamente e economicamente. Hoje, conta com 15 centros de distribuição espalhados pelo País, que não vendem mais apenas medicamentos, mas também produtos de higiene e beleza. A clientela, antes restrita a hospitais particulares, cresceu: com a aquisição da Prodiet, em outubro de 2011, a empresa iniciou o fornecimento para hospitais públicos e a atuação no segmento de vacinas. E, desde a compra da Arpmed, no ano passado, vende produtos de maior valor agregado, como medicamentos para o tratamento de câncer e dermatológicos.

Mas nem todos os processos de diversificação são lineares e livres de risco. Muito pelo contrário: os resultados do ano passado dão mostra de uma realidade promissora, porém difícil. De um lado, a empresa obteve um lucro líquido de R$ 40,6 milhões (crescimento de 53,6% sobre o ano anterior) e receita líquida de R$ 3,2 bilhões (alta de 15%), o que a coloca entre as três maiores distribuidoras do Brasil. De outro, os custos das vendas também subiram (14,4%). Apesar do lucro, as despesas operacionais cresceram mais do que o esperado e causaram a queda do Ebitda.

Em consequência, já houve alguma reação negativa no mercado. O BTG Pactual, por exemplo, reduziu sua recomendação, de compra para manutenção. Só no segundo semestre deste ano é que as farmácias começarão a aparecer nos resultados da Profarma — contanto que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprove as aquisições. Ainda há um longo caminho a percorrer. De todo modo, como disse Parize, do Votorantim, a Profarma teve sucesso na largada. Não é por acaso que ela passou a frequentar o radar do mercado. No período que vai de março do ano passado a 15 de abril deste ano, as ações subiram 141,85%. Essa alta expressiva está relacionada tanto com a estratégia da companhia quanto com o mercado em que ela atua.

Se a velhice nem sempre é a melhor idade, para o setor de saúde talvez ela de fato seja. No Brasil, em média, uma pessoa de 60 anos consome três vezes mais remédios do que uma de 30 ou 40 anos. Apostar no segmento farmacêutico significa contar com um aliado poderoso: a dinâmica demográfica. As estatísticas mostram que a população nacional está envelhecendo aceleradamente. O banco Fator calcula que o pico de crescimento da população acima de 60 anos deve acontecer entre 2015 e 2025, graças à geração baby boomer, que nasceu entre 1955 e 1965. Até 2020, essa população aumentará a uma taxa média anual de cerca de 4%.

A expectativa de desempenho sustentável do setor de produtos médicos no médio prazo, acima da evolução da economia brasileira, se deve também a outros fatores: mercado de trabalho positivo, crescimento da renda média e aumento dos gastos com produtos de saúde. E há muito espaço para crescer. Hoje, o brasileiro gasta com remédios cerca de dez vezes menos que um americano. Para o Brasil chegar a 2020 com nível semelhante ao dos Estados Unidos, o setor terá que avançar a uma taxa anual de 13% nos próximos sete anos, estima o banco Fator.

Não por acaso, os analistas têm se dedicado à tarefa de buscar players vencedores num mercado que, apesar do grande potencial de expansão, vive uma fase de consolidação e mudança. Foi nesse contexto que a Profarma apareceu no radar. Por enquanto, bem.


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