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Mercado de dívida corporativa navega em modo otimista, mas ainda desconfiado
Inflação e juros em queda incentivam captações, com retomada de emissões debêntures, CRIs e CRAS, entre outros papéis
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Um otimismo cauteloso define o humor de gestores do mercado de dívida corporativa neste finalzinho de 2023, com certo alento após um primeiro semestre com o “paciente na UTI”, nas palavras de um especialista. Um cenário macroeconômico mais comportado, com queda de inflação e dos juros, além da perspectiva de novas retrações da Selic já sinalizada pelo Banco Central neste mês, trouxeram alívio e uma retomada do interesse pelas captações de recursos via emissões de títulos de dívida como debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e imobiliários (CRI). 

Em novembro, segundo dados da Anbima (Associação Nacional das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais), as emissões do mercado de capitais somaram R$ 44,5 bilhões, quase o dobro (+96%) do volume captado no mesmo mês no ano passado. Entretanto, o total de janeiro a novembro ainda ficou 18% abaixo do mesmo período de 2022, chegando a R$ 384 bilhões.  

Do total, as debêntures se destacaram, com captações de R$ 25,4 bilhões em novembro, alta de 196% ante o mesmo mês de 2022, e R$ 196,6 bilhões nos primeiros onze meses, volume 16,3% menor na comparação com igual intervalo do ano passado.  

Retomada do fluxo

A queda da Selic barateia as dívidas das empresas, favorecendo as captações via emissão desses títulos, segundo análise de Marianne Moraes, gestora de crédito privado da Inter Asset, empresa do Banco Inter, com mais de R$ 9 bilhões sob gestão. “A melhora de cenário deve destravar o fluxo de captação das empresas que vinham represando suas necessidades de refinanciamento até agora”, afirma.  

A tendência é manter-se a demanda maior pelas debêntures incentivadas — opção  para pessoa física que tem isenção fiscal e financia projetos de infraestrutura. “Em novembro houve aumento das emissões institucionais também, mas ainda em ritmo lento, abaixo de volumes históricos, uma vez que a queda da taxa de juros convida o investidor a olhar para outros ativos de risco, concorrendo com essas emissões”, observa.  

O recorde de captações via debêntures se deu no ano passado, quando o volume ultrapassou R$ 270 bilhões, segundo a Anbima. O levantamento mostra ainda que a principal destinação dos recursos foi para investimento em infraestrutura, com 29% do total.  

As empresas ficaram sem oxigênio nos últimos dois anos, devido ao aumento das despesas financeiras por conta dos juros elevados. A situação, que já estava ruim, piorou com a recuperação judicial da Americanas, além de muitas outras RJs, segundo Thiago Figueiredo, gestor e diretor de investimentos da Intrabank, gestora focada em fundos estruturados e gestão de crédito privado. 

Com R$ 1,3 bilhão sob gestão, a Intrabank já transacionou, em menos de três anos de vida, mais de R$ 4 bilhões em operações de crédito.  “Nos últimos meses a situação parou de piorar. Quem conseguiu sobreviver este ano agora está conseguindo respirar e voltar para o mercado de captação.” 

Refinanciamentos

Segundo Figueiredo, muitas empresas com dívidas atreladas ao CDI estão voltando ao mercado para refinanciar os valores com juros mais baixos. “Um dos nossos grandes desafios é a capacidade de rolagem de dívida dos setores mais frágeis, como indústria têxtil, varejo, em especial por meio desses novos instrumentos financeiros, como CRA e CRI, que contam com isenção tributária.  

Figueiredo explica que, como as operações, por exemplo, com CRAs, são mais complexas e caras, a Intrabank aumentou expressivamente este ano a emissão de notas comerciais, que têm estrutura jurídica mais leve e são negociadas diretamente com a empresa, além de não terem incidência de IOF.

Nos últimos seis meses, a gestora estruturou emissões de notas comerciais no valor de R$ 250 milhões, comparado a apenas R$ 30 milhões no ano todo de 2022.  

Segundo a Anbima, o valor total das emissões de notas comerciais no país até novembro foi de R$ 23,3 bilhões, ante R$ 42,8 bilhões no ano de 2022. Nos instrumentos de securitização, o CRA se destacou em novembro, com R$ 4,8 bilhões em captações, um salto de 272,6% na comparação com novembro de 2022. Em seguida aparece o CRI, com R$ 4,0 bilhões e queda de 15,4% nesse comparativo. Já no acumulado do ano, as ofertas de CRA (R$ 35,1 bilhões) estão 12,4% abaixo do mesmo período do ano passado, enquanto as de CRI (R$ 38,9 bilhões) apresentam variação positiva de 1,1%.  

Alta da UTI

“O paciente ficou três meses na UTI e agora está estável”, brinca Murilo Barreto, diretor de distribuição da Bamboo, plataforma digital de mercado de capitais de dívida (DCM, na sigla em inglês), que conecta companhias que pretendem realizar emissões de dívidas a investidores institucionais. “O primeiro semestre foi caótico. Agora, não dá para dizer que 2024 vai ser um ano fantástico, mas com certeza será melhor. Se tudo se mantiver constante.”   

Leia mais:

Emissões do mercado de capitais atingem R$ 44,5 bilhões em novembro, diz Anbima


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