Da ideia ao bilhão, como se formaram os unicórnios made in Brazil

Relatos em primeira pessoa mostram as trajetórias das dez primeiras startups brasileiras até entrarem para esse restrito clube



Livro "Da ideia ao bilhão: estratégias, conflitos e aprendizados das primeiras start-ups unicórnio do Brasil", de Daniel Bergamasco

Livro “Da ideia ao bilhão: estratégias, conflitos e aprendizados das primeiras start-ups unicórnio do Brasil”, de Daniel Bergamasco | Imagem: Ana Magalhães

A despeito de sua aparência muito conhecida e estereotipada, os habitantes da unicorniolândia surpreendem pela diversidade de cores, tamanhos e trajetórias. Essa terra mítica, que só admite empresas cuja avaliação supera a casa do bilhão de dólares, já tem dez moradores brasileiros, e alguns outros candidatos a caminho. A partir de pelo menos 90 entrevistas com os protagonistas dessas histórias — entre clientes, executivos, investidores e fundadores —, o jornalista especializado em tecnologia Daniel Bergamasco apresenta o perfil desses habitantes em Da ideia ao bilhão: estratégias, conflitos e aprendizados das primeiras start-ups unicórnio do Brasil, um relato que, paradoxalmente, combina homogeneidade e diversidade.

Sem seguir um roteiro predefinido, o livro narra a jornada das seguintes empresas: 99, Nubank, iFood, Movile, Arco Educação, Stone, Gympass, Loggi, QuintoAndar e Ebanx. Entre aplicativos de mobilidade, plataformas de logística e educação e fintechs, os modelos de negócio são bastante diversos e tocam a todos nós em várias situações do dia a dia. Mas as diferenças ficam por aí. O perfil evolutivo das empresas que emerge a partir da narrativa tem um padrão surpreendente. Todas elas tiveram fundadores aguerridos, perseverantes e visionários; apresentaram soluções para problemas fundamentais para muita gente (grande mercado potencial, um pré-requisito fundamental) e atraíram capital inteligente de investidores experientes. Na verdade, um segundo olhar sobre esse perfil revela que a semelhança não é mera coincidência, pois estamos diante do conhecido efeito do darwinismo aplicado ao mundo dos negócios: o viés de sobrevivência.


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Todos os negócios adotaram caminhos parecidos, alicerçados no tripé ideias-produtos-dados. As startups transformam ideias em produtos e monitoram tráfego (quantos me conhecem) e conversão (dos que me conhecem, quantos compram de mim) para buscar escala. A partir do acerto no modelo, as empresas se graduam para scale-ups; caso contrário, elas devem mudar (o jargão no setor é “pivotar”) seu modelo de negócios e reiniciar o ciclo. Esse modelo de crescimento empresarial vigoroso foi aperfeiçoado no Vale do Silício (blitzscaling) e é aplicado no mundo inteiro — embora em Terra Brasilis ele tenha sofrido uma mutação, para aumentar as chances de sobrevivência dos negócios. As elevadas incertezas e instabilidades econômicas, aliadas a curtas janelas para captação de recursos, levaram os empreendedores a adotar estratégias de negócio tipo “camelo” (em alusão aos animais que sobrevivem em ambientes inóspitos). O modelo importado de queimar caixa para crescer em escala exponencial já deixou várias carcaças empresariais pelo caminho.

Apesar do título provocativo, o livro deixa claro que não tem o objetivo de ser um manual de criação de empresa bilionária. Trata-se de uma coleção de histórias que compõem um mosaico bem costurado de experiências inspiradoras, contadas em primeira pessoa por aqueles que estavam sentados ao volante, ou ao lado deles, como navegadores. Certamente tem espaço cativo na prateleira (física ou eletrônica) de investidores, estudantes, empreendedores e demais participantes desse admirável ecossistema de inovação.


Da ideia ao bilhão: estratégias, conflitos e aprendizados das primeiras start-ups unicórnio do Brasil

Daniel Bergamasco

Portfolio-Penguin

224 páginas

1a edição ― 2019


Peter Jancso é sócio da Jardim Botânico Investimentos e conselheiro independente

 

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