Lenha na fogueira

Editorial / Edição 128 / 1 de abril de 2014
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A regra é clara: os investidores têm direito a conhecer qualquer ato da administração ou dos controladores que possa influir de modo ponderável na cotação das ações ou nos negócios da companhia. Como o diabo mora nos detalhes, entretanto, não é raro uma informação altamente impactante manter-se encoberta em papeladas não disponíveis aos investidores.

Na matéria de capa desta edição, a repórter Yuki Yokoi disseca os pormenores do agora ruidoso contrato celebrado pelos diretores da concessionária de ferrovias ALL com a Rumo, subsidiária de logística da sucroalcooleira Cosan. Permeado de punições e multas à ALL em hipótese de não cumprimento, o acordo acabou trilhando o caminho inverso de um fato relevante: seus termos tornaram-se públicos só depois dos significativos impactos que tiveram sobre a companhia. A negociação, quando selada, foi objeto de comunicado aos acionistas. Porém, os riscos a ela inerentes e as consequências nefastas caso tudo saísse errado — como saiu — passaram longe tanto das informações prestadas pela empresa como dos relatórios escritos pelos analistas de investimentos na época.

O fato é que no mercado de capitais os riscos frequentemente se sobrepõem às regras criadas para proteger os investidores. Além de ALL, veja-se a história da oferta de compra de ações feita pelo empresário Edson Bueno aos acionistas da rede de laboratórios Dasa, relatada na reportagem de Mariana Segala. Ali, aparentemente, não faltam redes de proteção: existem as regras de oferta pública determinadas pela CVM e ainda uma cláusula no estatuto social (poison pill) que prevê oferta a todos os acionistas quando há aumento de participação. Os aparatos, entretanto, não parecem ter sido suficientes para evitar desilusões.

Advogados contratados por Bueno entenderam que as regras da autarquia eram as únicas aplicáveis e assim a oferta foi feita. Alguns minoritários e o próprio conselho de administração, do outro lado, não concordaram, afirmando que a poison pill deveria ser executada também. O preço proposto, naturalmente, é o centro da discórdia — investidores reclamam que o laudo de avaliação não estaria correto e nem seria independente o suficiente, por isso querem outra oferta. Coisas do mercado. É sua lógica intrínseca buscar fazer justiça para ampliar os ganhos. Curioso observar que o arcabouço de normas, apesar de cada vez mais complexo, continua não sendo garantia de paz. No caso da Dasa, ao contrário, ele até parece ter colocado mais lenha na fogueira.


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