Mercado ainda sabe muito pouco sobre governança
SVB, Americanas e Grupo Salton deixam evidente que o real “trade-off” é entre retorno financeiro de longo prazo e crescimento a qualquer custo
Daniel Izzo
Daniel Izzo, sócio-cofundador da Vox Capital | Ilustração: Julia Padula

Parece que 2023 começou nos forçando a enxergar que sem governança decente nenhuma empresa para de pé por muito tempo. A conta do crescimento a qualquer custo, da pressa e da negligência sempre vem. E chega em forma de derretimento do preço dos títulos (Americanas), intervenção federal e perda de confiança (Silicon Valley Bank) e reputacional (Salton, Aurora e Garibaldi).  


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Essas três situações revelam que, quase um ano após o início do “inverno das startups”, resultado do crescimento desenfreado a qualquer custo em meio a um cenário de juros baixos, o mercado aprendeu bem pouco sobre o real significado de governança, análises, diligências e processos que levam a um negócio mais perene.  

Vale a pena lembrar: governança é um conjunto de políticas, processos e práticas que permitem a uma empresa atuar de forma eficaz e transparente. Ela envolve a definição de responsabilidades, a tomada de decisões estratégicas, o gerenciamento de riscos sociais e ambientais e a prestação de contas aos acionistas, clientes, colaboradores e outras partes interessadas. Parece desconectado do que temos visto em pleno 2023. 

Pegamos o caminho errado 

Olhando em retrospectiva, parece que, no embalo do ESG, limitamos a governança a compromissos de diversidade no board e equidade de gênero na liderança. Estes são temas fundamentais, mas que não prosperam sem uma boa qualidade da governança e uma real intencionalidade da empresa. 

Os casos do SVB, da Americanas e do grupo Salton começam a deixar evidente que o real “trade-off” é entre retorno financeiro de longo prazo e crescimento a qualquer custo. Porque tal crescimento, ao dispensar práticas mais cautelosas e análises melhores de riscos, acaba gerando grandes prejuízos financeiros, perda de qualidade dos produtos e serviços e impactos negativos em toda a cadeia. Isso se reflete imediatamente na performance do negócio e, logo, no retorno aos investidores.  

O caminho para escapar deste destino trágico é alinhar a governança à busca de impacto positivo. Sem esse alinhamento, o crescimento não se sustenta. É hora de os gestores saírem do playground de compromissos vazios e se sentarem à sala de reunião para decidir o que fazer e como monitorar se o alinhamento entre negócios e impacto positivo está dando certo. Não vale mais depositar as atenções só no relatório anual de sustentabilidade. 

Na prática, as empresas precisam responder internamente com o que querem contribuir e como querem ser lembradas.  Se um dia essa pergunta foi considerada de “sonhadores”, hoje já está claro que a resposta a ela é, na verdade, uma excelente diretriz para decisões estratégicas e negócios com boa performance. No fim do dia, a intenção é o que tende a proteger empresas, gestores e investidores do “voo da galinha”.  

Vamos levar a governança das empresas a sério?  

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