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Não – O uso do hedge accounting atrapalha a leitura do balanço por investidores e analistas

Uma boa regra contábil se caracteriza por minimizar o custo de pesquisa por parte dos usuários das demonstrações financeiras. Investidores e analistas, por exemplo, devem conseguir entender os resultados e a posição patrimonial divulgada, bem como a sua relação com o desempenho e a situação da empresa em questão. A forma como a contabilidade de hedge está sendo aplicada pelas empresas brasileiras atrapalha essa leitura.

Os padrões internacionais de contabilidade adotados pelas empresas brasileiras têm se mostrado dependentes de julgamentos e interpretações que as empresas fazem a respeito das suas condições macroeconômicas e setoriais. Essas interpretações cabem aos executivos. São eles que fazem o reconhecimento do efeito de variações de taxas de juros e de câmbio sobre o resultado da companhia, por exemplo. As informações estão sendo publicadas considerando posições impossíveis de serem verificadas por um analista externo, mesmo observando as notas demonstrativas.

Para que os analistas e investidores possam fazer seus próprios julgamentos e interpretar o ambiente de negócios da companhia, é necessário que eles consigam extrair das informações publicadas qual seria o orçamento aprovado pelo conselho. A forma como a divulgação é feita não revela quanto do fluxo de caixa projetado da empresa está protegido. Dessa forma, o analista não consegue inferir se o resultado atual está coerente com as premissas que a companhia adotou para o médio e o longo prazos. O efeito disso é pior do que privilegiar a forma sobre a essência — e a essência é o que se buscou com a adoção da contabilidade de hedge.

Além de permitir a demonstração de um resultado que depende de previsões futuras não necessariamente alinhadas com o planejamento dos diretores, o hedge accounting tem o poder de afetar a medida de lucro. Os investidores a utilizam para calcular os dividendos que receberão e também para obter informações a respeito do ambiente da empresa.

Outra função importante da medida do lucro é o seu uso pelos conselheiros, representantes dos acionistas, para estabelecer os bônus que serão concedidos aos executivos, com o objetivo de alinhar os interesses das duas partes. No momento em que o próprio administrador consegue aplicar as suas expectativas sobre os negócios na contabilidade, o lucro se torna manipulável e ele ganha o poder de definir o seu bônus. Se as expectativas não estiverem relacionadas ao orçamento, o diretor poderá atribuir valores na contabilidade que desvinculem a sua remuneração do futuro mais provável. Isso pode afetar os resultados — e, consequentemente, o bônus dele.

Ao definir que uma proteção contra a variação cambial ou de juros será parte das demonstrações da companhia, é essencial que o executivo verifique, e publique, se essa informação tem a ver com as previsões que fizeram parte do orçamento da empresa. A concordância entre o que estará na contabilidade para usuários externos e o que foi definido no planejamento que gerou o orçamento é uma poderosa ferramenta para diminuir a assimetria de informação entre empresa e acionistas. Isso aumenta a confiança de que a política de hedge é adequada e contribui para o monitoramento dos executivos pelo investidor, um pilar da governança corporativa.

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