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Iniciativas da Finep e do BNDES apoiam empresas em estágio inicial e atraem investidores privados para o segmento

Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Private Equity - Coletânea de Casos 2009 / Reportagem / 1 de agosto de 2009
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As universidades são verdadeiros celeiros de inovação tecnológica. Mas entre a produção científica e o mercado há uma lacuna histórica que, nos últimos anos, começou a ser preenchida pelo capital de risco. E não só no âmbito privado. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também se propuseram a transformar conhecimento em empreendimentos bem-sucedidos.

Essa foi a mola propulsora do Projeto Inovar. O programa começou a ser desenhado pela Finep a partir de 1999 para ocupar o espaço que, nos países desenvolvidos, era da indústria de private equity. “Uma empresa que é suportada por um fundo ou gestor de venture capital tem muito mais chances de sucesso do que aquela sem esse tipo de suporte”, diz Patrícia Freitas, superintendente da área de investimentos da Finep. Além de recurso financeiro, esses gestores costumam agregar o chamado capital inteligente, que abrange todo o apoio de gestão, estratégia, rede de contatos e implementação de boas práticas de governança. “Nosso objetivo é fazer com que essa indústria alcance a maturidade”, diz Patrícia.

Inovar possui R$ 2,4 bilhões comprometidos para investimentos a serem realizados nos próximos três a cinco anos

Criado em conjunto com o Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Fumin/BID), o Inovar conta com dois componentes principais: a atração de investidores institucionais para fundos focados em empreendimentos inovadores e a capacitação empresarial. Tradicionalmente, os investidores institucionais têm menos experiência em empresas iniciantes, e é exatamente aí que a Finep quer atuar.

Em 2001, o Inovar Fundos tinha como investidores, além da Finep, o Fumin, a Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Hoje, o programa conta com 14 investidores, dos quais 60% são fundos de pensão, e cerca de 30% são agentes de desenvolvimento e multilaterais, além da Bovespa, na função de parceiro técnico.

Atualmente, o projeto conta com R$ 2,4 bilhões comprometidos para investimentos a serem realizados nos próximos três a cinco anos. No total, a Finep constituiu 20 fundos. Destes, um já foi completamente desinvestido e 11 estão em operação, totalizando uma carteira de 50 empresas apoiadas. Há ainda outros oito fundos na fase final de captação de recursos. “Claro que a crise tem um impacto, mas esse é um momento propício para investimento, tanto do lado das empresas quanto dos investidores”, diz Patrícia.

Teste de seleção do Criatec leva em consideração aspectos como tecnologia empregada, mercado potencial e equipe de empreendedores

CRIATEC — O BNDES, por sua vez, quer ser sócio das 50 melhores startups do Brasil, conta Bernardo Spata, gerente do departamento de investimentos em fundos da área de capital empreendedor do banco. Por isso, lançou o fundo Criatec, com patrimônio total de R$ 100 milhões — R$ 80 milhões do BNDES e R$ 20 milhões do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A proposta é aplicar em empresas inovadoras espalhadas por Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Pará. “É um projeto inédito no mundo”, diz Spata.

O fundo é voltado para sociedades anônimas com faturamento de zero até R$ 3 milhões. O limite do investimento é de até R$ 1,5 milhão por empresa. O fundo será sempre um sócio minoritário e manterá uma equipe regional focada em acelerar o crescimento da companhia e mitigar os riscos associados ao negócio. O incentivo, portanto, vai além do investimento financeiro. As empresas apoiadas recebem um curso intensivo de gestão. “Desde pequenas, elas têm padrões de governança dignos de grandes empresas”, afirma Spata.
Inaugurado em novembro de 2007, o Criatec aprovou, desde então, investimentos de R$ 23,4 milhões em 18 das 800 empresas inscritas. O teste de seleção é rígido. Além de um processo de due diligence, para assegurar que as empresas realmente atendem ao perfil do fundo, o Criatec leva em conta aspectos como tecnologia empregada, mercado potencial e equipe de empreendedores. “Não basta ter um viés tecnológico. É preciso contar com empreendedores”, defende Spata.

A meta é criar um projeto rentável o suficiente para atrair também investimentos privados. O Criatec tem um prazo máximo de 15 anos. Dentro de seis a sete anos, os gestores esperam vender algumas das posições para parceiros estratégicos ou fundos de venture capital e private equity


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