Empréstimos em plataformas on-line ganham volume

Captação de recursos / Edição 4 / Seletas / Reportagem / 15 de dezembro de 2015
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Ilustração: Grau 180.com.

Ilustração: Grau 180.com.

As recém-lançadas plataformas brasileiras de empréstimos on-line (peer-to-peer lending) começam a divulgar os resultados de sua atividade no Brasil. De acordo com Marcelo Ciampolini, CEO da Lendico, a plataforma recebeu mais de 42 mil pedidos de empréstimo em apenas três meses no ar, com pouco esforço de marketing e divulgação.

Além da Lendico, Biva e Geru operam nesse mercado. Por meio dessas plataformas, um tomador de crédito solicita financiamento em uma ponta enquanto um ou mais investidores aplicam dinheiro em outra. O objetivo é atender a parcela da população ainda pouco servida pelos bancos, como microempreendedores e brasileiros sem contas bancárias, mas com acesso à internet. Estima-se que 40% da população se encaixe nesse perfil.

Os Estados Unidos foram um dos primeiros a perceber o potencial do peer-to-peer lending. Segundo relatório do Credit Suisse sobre economia colaborativa (sharing economy), em 2025, o mercado de empréstimos por meio de plataformas vai representar 25% do mercado de crédito americano. “Estamos falando de US$ 1 trilhão nos Estados Unidos”, diz Sandro Reiss, fundador da Geru.

No Brasil, o peer-to-peer lending ainda é pouco explorado, mas “existe um enorme mercado latente”, observa Jorge Vargas Neto, CEO e um dos fundadores da Biva. Para cair no gosto dos clientes, a ideia dessas plataformas é fisga-los pelo bolso. Enquanto os juros bancários para crédito pessoal, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito, podem chegar a três dígitos por ano (a taxa média de juros do Brasil foi de 32% em 2014, uma das maiores do mundo), as taxas de crédito nessas plataformas variam entre 20% e 80% anuais.

“O problema no Brasil é a qualidade da análise de crédito. As instituições financeiras passam uma régua lá no alto e cobram taxas altíssimas de bons pagadores”, critica Reiss. Para reverter esse cenário, as plataformas adotam modelos detalhados de análise de crédito, a fim de avaliar com precisão o perfil dos tomadores e o risco envolvido em cada operação. Nesse processo, olham, inclusive, para os chamados “dados não triviais”, como a conta de telefone do tomador e o seu perfil nas redes sociais.

Comedidos

De nada adianta, no entanto, as plataformas receberem milhares de pedidos de empréstimos se não houver investidor disposto a conceder dinheiro. Por isso, elas buscam formas de dar segurança ao investidor. A Biva criou um fundo garantidor de crédito financiado com o dinheiro dos devedores. Cada um a pedir empréstimo direciona um percentual do seu saldo devedor ao fundo. Em caso de calote, os recursos para ressarcimento do investidor saem dessa poupança. “Até o momento, não houve inadimplência, então nosso modelo não foi testado”, afirma Vargas Neto. Com o apoio do fundo, a rentabilidade torna-se bastante atrativa: a Biva afirma oferecer um retorno de cerca de 20% ao ano ao investidor.

Enquanto os modelos são testados, as plataformas operam com cuidado. A Geru, por exemplo, nega cerca de 90% das solicitações de empréstimos, enquanto a Lendico “tem um índice de aprovação baixíssimo”, segundo seu CEO. Cabe destacar que, no Brasil, o peer-to-peer lending não é praticado como no mercado americano. Aqui, as diretrizes da Lei do Sistema Financeiro Nacional estabelecem que operações de crédito cabem exclusivamente a instituições financeiras reguladas pelo Banco Central. Por isso, para poder operar, as plataformas de empréstimo locais tiveram que legalmente se apresentar como “correspondentes bancários” e aliar-se a bancos ou financeiras. “Quando se mexe com uma regra dessa (da lei financeira brasileira), é preciso ser extremamente conservador na estrutura”, observa Bruno Balduccini, sócio do escritório de advocacia Pinheiro Neto, que ajudou a estruturar a Biva.

A crise econômica tampouco assusta as plataformas. Apesar do cenário adverso, que restringe a oferta de crédito no País no curto prazo e gera desemprego, elas apostam que o Brasil pode presenciar o mesmo que ocorreu nos Estados Unidos e no Reino Unido após a crise de 2008: frente à menor oferta de crédito, as plataformas de peer-to-peer lending se expandiram significativamente. Tanto que a americana Lending Club fez a segunda maior oferta pública inicial de (IPO) dos Estados Unidos em 2014, atrás apenas do Alibaba. “Eu não acho que será diferente no Brasil”, aposta Reiss.


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