Mente visionária

O desenvolvimento da indústria de venture capital sob a lente de um de seus protagonistas



O futuro é moldado pelos empreendedores e suas inovações que quebram paradigmas, em um constante movimento de destruição criativa. Desde os primórdios da humanidade, empresários visionários têm convencido capitalistas a financiar seus planos de negócios, mas foi apenas na segunda metade do século 20 que essa prática recebeu o nome de venture capital. William H. Draper III conhece bem essa indústria, pois ajudou a construí–la já na década de 1960. Seu livro The Startup Game, uma mescla de autobiografia e história do desenvolvimento do Vale do Silício, provê um rico mosaico sobre o processo de transformação da visão de hoje na realidade de amanhã.

Draper é um dos fundadores da Sutter Hill Ventures, do tempo em que a região da Califórnia famosa por abrigar empresas de tecnologia era uma grande plantação de damasco. Seu texto descreve como oportunidades são identificadas, passando por fatores de sucesso e riscos inerentes ao jogo de financiar inovações. Ao longo de sua carreira, Draper viu potencial e investiu nas então nascentes Apollo Computer, Skype, Hotmail e Yahoo!, dentre outros exemplos high–tech de enorme prestígio, chegando, algumas vezes, a multiplicar seu investimento por mil.

A despeito de seu êxito no setor privado, Draper sempre esteve atento em retribuir seu sucesso à sociedade e acabou dedicando uma década de sua vida ao serviço público. Concorreu (e perdeu) ao Senado dos Estados Unidos; presidiu o Eximbank (agência governamental que financia exportações) do país, na administração Reagan; e foi responsável pelo programa de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU). A “década perdida”, como Draper chama os anos 1980, semeou a etapa seguinte de sua carreira, ao despertá–lo para oportunidades em outras partes do mundo, muito além do Vale do Silício.

Em seu retorno à atividade de venture capitalist, ele se esforçou para estabelecer presença na Índia, fazendo investimentos pioneiros em empresas de tecnologia daquele país. Também fundou uma entidade voltada a canalizar parte de seu patrimônio para a caridade, mas sempre aplicando valores que lhe foram muito úteis como investidor. Ele faz doações às chamadas startups sociais, isto é, ONGs com modelos inovadores que podem causar grande impacto positivo na sociedade. Seu modelo busca avaliar o retorno social que essas organizações podem entregar, por meio de uma diligência completa sobre o plano de negócios e a capacidade de execução desse tipo de empreendedor.

Como disse Malcolm Gladwell em seu livro Outliers, personagens fora da curva surgem quando os astros se alinham, criando um contexto favorável para uma certa atividade. Bill Draper estava no lugar certo, na hora certa, e participou de um dos maiores processos de criação de riqueza da humanidade. Aliás, nesse caso, pode–se dizer que a família Draper tem sorte há três gerações. O pai, William H. Draper Jr., um general da 2ª Guerra, deu origem à definição de limited partnership (sociedades de responsabilidade limitada), tão típica da indústria de venture capital hoje. Seu filho, Tim Draper, é sócio da Draper Fischer Jurvetson (DFJ) e um dos mais reconhecidos investidores de venture capital. Como bem disse um anônimo, “sucesso ocorre quando a sorte, o trabalho duro e a competência se encontram”.


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