Como será a sua assembléia?

Editorial/Edição 46 / 1 de junho de 2007
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Desde que surgiram em bolsa de valores sociedades sem a figura do acionista controlador, na esteira da retomada das aberturas de capital, as assembléias de acionistas viraram pauta nas relações com investidores. Famosas pelo esvaziamento e pela monotonia que lhe são peculiares no Brasil, essas reuniões, supostamente designadas para reunir acionistas, voltaram a chamar a atenção agora que alguns controladores não são mais suficientes para garantir a maioria dos votos, ou mesmo o quórum mínimo de deliberações em primeira convocação.

Na tentativa de compreender como este novo cenário irá se desenhar, preparamos a reportagem especial que ilustra a capa desta edição. Compramos uma ação de 12 companhias (entre veteranas e novatas, com ou sem controlador definido) e fomos conferir suas AGOs. No geral, sem esconder certa frustração, voltamos com muito mais exemplos do que as empresas “não fazem”, como fica evidente na reportagem da página 40. Ainda assim, as perspectivas de mudança parecem claras. Basta ver que, das 18 companhias com controle difuso, nove tiveram dificuldades para instalação de quórum em suas assembléias extraordinárias.

A dúvida, portanto, não é se a busca por quóruns mais representativos é uma tendência. Este já parece ser um caminho irreversível. A questão é de que modo nossas assembléias serão mais freqüentadas. Para os que, a esta altura, estejam vislumbrando aquelas assembléias repletas de acionistas, avisamos logo que esse bonde, é muito provável, nós já deixamos passar. Nossas assembléias prometem, sim, ampliar, e muito, seus quóruns nos próximos anos, mas por meio de procurações, votos e debates eletrônicos, ou seja, sem que os acionistas estejam fisicamente presentes.

Essa é a tendência mundo afora. Nos Estados Unidos, discute-se até se já não é o momento de o ativismo societário passar a ser exercido em fóruns virtuais, para não tirar a objetividade das assembléias cada vez mais vazias e dominadas por procurações eletrônicas. Sonho perdido, então, para quem imaginava um dia ver no Brasil assembléias lotadas, como as da Berkshire Hathaway, fundada pelo megainvestidor Warren Buffett? Talvez não.

Justamente para animar nossos leitores sonhadores, fomos até Omaha, no Nebraska, acompanhar a maior assembléia do mundo, conduzida com incrível entusiasmo por este excêntrico bilionário há 42 anos. E vimos que, a despeito de todo o movimento pela “virtualização” das assembléias, Buffett continua fazendo seu Woodstock para capitalistas do jeito que mais gosta — reunindo milhares de acionistas a despeito da chuva e do tornado, e dando espaço no microfone para protestarem contra investimentos controversos.

Portanto, caros leitores, o cenário mais provável parece ser aquele em que cada companhia aberta poderá escolher o tipo de assembléia que irá chamar de seu. Pode ser um grande encontro no fim de semana no melhor estilo Buffett, ou uma reunião absolutamente virtual, sem grandes emoções, mas com quóruns representativos. Aos executivos de nossas companhias abertas, sugerimos pensar no assunto desde já. Em tempos de mercado de capitais forte, é bom prepararse para o momento em que o voto dos investidores fará diferença no futuro das companhias.


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