Por que não pegou?

Relatório do WEF expõe as causas do baixo interesse dos analistas sell side por investimentos socialmente responsáveis

Edição 18 / 1 de fevereiro de 2005
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ed18_p047-048_pag_1_img_001Apesar da crescente importância das boas práticas de responsabilidade social e ambiental, a preocupação dos analistas sell side com essas questões ainda é baixa, segundo relatório do World Economic Forum (WEF) intitulado “Mainstream Responsible Investment”, divulgado em janeiro. As principais razões para tal, segundo o relatório, são a falta de informações consistentes para uma análise qualificada, a ausência de competências específicas entre analistas para avaliação destas questões e o modelo de remuneração dos profissionais, que não incentiva o aprofundamento das análises sociais e ambientais.

Segundo o WEF, as companhias respondem, em grande parte, pela insuficiência de informações sobre o tema. Dados sobre suas ações neste sentido raramente são auditadas e, com freqüência, não possuem referências históricas. Fora isso, costumam ser publicadas apenas uma vez ao ano e com significativo atraso, além de seguirem padrões completamente distintos, o que dificulta a comparação entre empresas. As ONGs especializadas, que poderiam ser uma fonte credenciada, são vistas por muitos analistas como órgãos não regulados, o que torna suas informações pouco seguras ou irrelevantes na percepção desses profissionais.

Quanto à capacitação dos analistas para contabilizar as boas práticas socioambientais em suas planilhas, o relatório observa que essa deficiência começa nos cursos de preparação. O tema ainda não ganhou espaço nos exames do Chartered Financial Analyst (CFA), por exemplo, e ocupa pouco tempo nos cursos de habilitação para o exame. No módulo do CFA ministrado em Londres, apenas 1,5 hora vem sendo dedicada ao tema de responsabilidade social e ambiental, em 12 meses de curso. “Para que os analistas entreguem um produto diferente, focado em critérios não-financeiros, é necessária uma mudança de cultura”, diz o relatório.

Outro ponto que restringe uma dedicação maior dos analistas ao tema é a sua remuneração, diretamente vinculada aos negócios gerados pelos clientes. Neste contexto, torna-se um passo arriscado investir no conhecimento de um tema que, eventualmente, não ganhará apelo entre os investidores. Além do mais, os modelos atuais de incentivos estão focados nos esforços para geração de receitas de curto prazo e em métricas concretas de avaliação de performance, incompatíveis com a experimentação de uma área nova de conhecimento.

Para mudar esse quadro, o estudo do WEF sugere um gasto maior de tempo e de dinheiro com educação voltada a essas matérias, o desenvolvimento de modelos de avaliação com base em informações nãofinanceiras e o convencimento dos administradores das companhias sobre a importância de melhorar a divulgação dessas informações. Também poderia ajudar uma pressão originada dos fundos de pensão, que teria efeito sobre os gestores de recursos (buy side) e, por fim, sobre os analistas. O relatório sugere ainda que o governo, através do respectivo órgão regulador, exerça um papel mais atuante neste sentido, tornando obrigatória a divulgação de relatórios sociais e ambientais junto com as demonstrações financeiras e exigindo a introdução de questões relacionadas ao tema em exames para habilitação de analistas.


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